Papa pede condições claras para mediar crise na Venezuela

No avião de volta do Cairo, Francisco diz que aceita retomar papel de negociador na crise, mas "com necessárias garantias". Em Roma, pontífice apela por fim da violência no país.O papa Francisco fez neste domingo (30/04) um pedido "ao governo e a todos os componentes da sociedade venezuelana" para que evitem "novas formas de violência" e que os direitos humanos sejam respeitados no país. Além disso, o pontífice pediu a busca de "soluções negociadas para a grave crise humanitária, social, política e econômica que está assolando a população" venezuelana. O papa fez os comentários antes da oração de Regina Coeli, na Praça de São Pedro, no Vaticano, diante de milhares de fiéis, aos quais disse que "não param de chegar notícias dramáticas sobre a situação na Venezuela, com numerosos mortos, feridos e detidos". "Enquanto me junto à dor dos familiares das vítimas, por quem rezo, faço um pedido cordial ao governo e a todos os componentes da sociedade venezuelana para que evitem novas formas de violência", disse o papa. Algumas das manifestações convocadas nos últimos dias pela oposição venezuelana acabaram em violência e deixaram até agora um saldo de 29 mortes, cerca de 500 feridos e mais de mil detidos. Proposta de mediação No sábado, Francisco já havia se referido à Venezuela, adiantando que a Santa Sé está disponível para ser facilitadora de uma solução para a crise, mas mediante "condições muito claras". O papa não nomeou as condições, mas o secretário de Estado do Vaticano, Pietro Parolin, antigo núncio apostólico na Venezuela, enumerou-as, como noticiou a agência de notícias AFP: estabelecer um calendário eleitoral, libertar os opositores, permitir a entrada de ajuda estrangeira na área da saúde e devolver poderes ao Parlamento. Na viagem de regresso a Roma, proveniente do Cairo, Francisco afirmou a jornalistas que já houve uma tentativa de mediação da Santa Sé a pedido de ex-presidentes que estavam trabalhando como facilitadores. "Mas as coisas não funcionaram", disse o papa. "Não funcionaram porque as propostas não foram aceitas ou foram diluídas." O pontífice disse acreditar que a ideia de relançar uma mediação pelo Vaticano veio desses ex-mandatários. Ele ressaltou, no entanto, que parte da oposição não quer a mediação. Segundo Francisco, a mesma oposição "está dividida e, por outro lado, parece que os conflitos estão sempre piores." Francisco ressalvou, no entanto, que "tudo o que pode ser feito pela Venezuela deve ser feito, com as necessárias garantias". CA/efe/lusa/afp/dw

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