Cegonha-problema "toca o terror" em vilarejo alemão

Clarissa Neher*

  • DW

A chegada das cegonhas no início da primavera costuma ser um motivo de celebração. Não num pequeno vilarejo ao norte da capital alemã, onde uma ave em fúria promove ataques a tetos de carros, janelas de vidro e portas

Pelo segundo ano consecutivo, um visitante tem tirado a paciência dos moradores de um pequeno vilarejo ao norte de Berlim. Ronny, que ficou conhecido como a cegonha-problema, parece ter gostado tanto da primeira temporada em Glambeck, que resolveu voltar neste ano – para certa tristeza dos moradores.

A chegada das cegonhas no início da primavera costuma ser um motivo de celebração. Essas aves migratórias estão associadas à felicidade, e o momento de seu retorno para a Europa marcaria o fim do inverno. Até setembro, a espécie dá um toque especial à paisagem europeia.

No Estado de Brandemburgo, elas ocupam ninhos construídos em cima de casas ou plataformas instaladas para esta finalidade. Monogâmicas, as cegonhas, depois de uma temporada na África, costumam retornar todos os anos para a mesma região e ocupar o mesmo ninho.

Apesar deste hábito, os moradores de Glambeck tinham a esperança de que Ronny não tivesse gostado do vilarejo e escolhesse outro local para aterrorizar neste ano. Mas esse desejo não foi realizado: mal começou a temporada das cegonhas, Ronny já botou as manguinhas de fora e voltou a tocar o terror na região.

"Não mudou nada", chegou a constatar desiludida uma política local à revista "Der Spiegel". Ronny ficou conhecido como a cegonha-problema, depois de promover uma série de ataques a tetos de carros e vidros de janelas e portas. Durante quatro meses em 2016, ele bicava com fúria essas superfícies, causando grandes estragos.

Especialistas acreditam que a violência do animal tenha origem num comportamento de cortejo sexual exagerado. Dizem que Ronny odeia a concorrência e, por isso, tentou expulsar todas as cegonhas machos do vilarejo. O problema é que, ao ver sua imagem refletida em tetos de carros e vidros, Ronny não percebe se tratar dele mesmo e parte ferozmente para o ataque.

Com seu comportamento, Ronny teria conseguido expulsar um concorrente da vila. Apesar do sucesso, ele não assumiu o papel do antigo parceiro da relação que destruiu, e a cegonha viúva teve de criar sozinha os filhos. Já Ronny continuou tentado destruir outros lares.

Pegos de surpresa no início da primavera de 2016, os moradores de Glambeck aprenderam a se defender dos ataques da cegonha e começaram a evitar deixar carros estacionados fora de garagens e a proteger vidros de janelas e portas. Depois de quatro meses de vandalismo, os moradores comemoraram quando Ronny foi embora em setembro e torciam para que ele nunca mais voltasse. Porém, ele voltou com tudo neste ano e mostrou que não aprendeu nada nos últimos meses.

Tudo indica que o martírio dos habitantes do vilarejo será longo. Como a espécie é protegida, Glambeck terá que se acostumar com a cegonha-problema: Ronny tem apenas cerca de 6 anos, e esse tipo de ave pode viver mais de 30.

*Clarissa Neher é jornalista freelancer na DW Brasil e mora desde 2008 na capital alemã. Na coluna Checkpoint Berlim, publicada às segundas-feiras, escreve sobre a cidade que já não é mais tão pobre, mas continua sexy.

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