A corrida silenciosa pelo Planalto

Malu Delgado

Os nomes que circulam no meio político e empresarial como possíveis sucessores de Temer, caso o governo não resista, e o Congresso tenha que escolher um novo mandatário em eleições indiretas.O presidente Michel Temer (PMDB) afirmou reiteradas vezes a jornalistas e políticos próximos que não pretende renunciar ao cargo. Porém, a continuidade de seu governo já é descartada até por seus aliados próximos, como os políticos do PSDB. O momento é de extrema tensão e instabilidade política no Brasil, e as negociações para uma eventual eleição estão a todo vapor. O PSDB quer tentar uma sucessão negociada com o PMDB, mas os ruídos entre os dois partidos começa a aumentar. Há também tentativas de alguma interlocução suprapartidária, incluindo conversas com o PT. A chance de uma coalizão que envolva PSDB e PT, neste momento, é nula. A manutenção do governo Temer, neste cenário, depende da postura dos tucanos. Se o PSDB deixar o governo Temer, é inviável a sua manutenção no cargo até dezembro de 2018. Até o momento, há maiores chances de o Congresso escolher o sucessor de Temer (em caso de renúncia ou cassação) e poucas chances de os parlamentares votarem a emenda constitucional que estabeleceria a escolha por via direta, ou seja, o voto da população. Pela atual configuração partidária e simpatias políticas dos parlamentares, não se pode contar com a eleição de um nome que venha dos partidos do campo da oposição, como Luiz Inácio Lula da Silva. Nos últimos dias começaram a vir à tona conversas sobre uma possível participação de Lula na eleição indireta. Os possíveis nomes: Fernando Henrique Cardoso O nome do ex-presidente da República foi o primeiro a ser colocado nas rodas de conversas de dirigentes do PSDB, que contaram com a participação do próprio tucano, para discutir o futuro do país em caso de queda de Michel Temer. A favor de seu nome, além da experiência, estaria a capacidade de conduzir com moderação uma espécie de pacto social para acalmar o país. Porém, a idade (85 anos) e a resistência da família fizeram o ex-presidente e seu partido buscarem outras saídas negociadas. Além das questões de foro íntimo, FHC seria um nome alvejado pelos partidos do campo de esquerda e movimentos sociais ligados ao PT. Essa resistência criaria obstáculos, por exemplo, para a retomada de votações no Congresso. Tasso Jereissati Com a hecatombe tucana, o senador cearense, que governou o Estado do Ceará por duas vezes, foi convocado às pressas para assumir o comando do PSDB diante da decadência política de Aécio Neves. Empresário bem-sucedido, do Grupo Jereissati, o cearense já foi muito próximo dos ex-presidentes José Sarney e Fernando Collor de Mello. O nome de Tasso é visto com simpatia no PSDB e, sobretudo, por setores do mercado. Porém, é forte a resistência do PMDB, que não aceita dar o comando do país a um tucano. Um nome do PSDB poderia também sofrer forte rejeição popular, já que na eleição de 2014, em que Dilma Rousseff foi eleita, o PSDB, que tinha Aécio Neves como candidato, foi derrotado. Nelson Jobim O nome de Jobim já aparece como um possível candidato à presidência em 2018 desde o ano passado, quando ficou evidente a queda de Dilma Rousseff. Jobim é filiado ao PMDB e foi ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso (de 1995 a 1997) e ministro da Defesa no governo de Luiz Inácio Lula da Silva (2007). Parlamentar experiente, constituinte, Jobim foi ainda ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) por quase uma década. De todos os nomes mencionados até o momento, é o único que não sofreria tanta resistência interna do PT, ainda que veladamente. Na tarde de quarta-feira (24/05), Jobim participou de almoço com investidores do Banco BTG Pactual, do qual é sócio, e teria dito que não quer abraçar a missão, segundo a revista Piauí. O nome dele, porém, segue na bolsa de apostas. O obstáculo central é a ligação profissional de Jobim com o banco de André Esteves, preso na Lava Jato no ano passado, e também com empreiteiros investigados na mesma operação. Rodrigo Maia Presidente da Câmara e filiado ao DEM, Maia conseguiu chegar ao cargo com aval do presidente Michel Temer. É o nome mais rejeitado pelos tucanos, mas conta a seu favor ter a simpatia do chamado Centrão, o grupo político mais fisiológico, que era ligado a Eduardo Cunha, e que migrou para a base aliada de Michel Temer. Para o PSDB, o nome de Rodrigo Maia não agrega e vai gerar forte instabilidade, uma vez que há inquérito contra ele tramitando no Supremo Tribunal Federal (STF). Maia não é réu. É apenas investigado na Operação Lava Jato, mas a instabilidade política e a extensão das investigações recomendam prudência e que se evite colocar no comando do país qualquer nome sob o qual pairam mínimas suspeitas. Henrique Meirelles É um outro nome do PMDB que aparece como o fiador do mercado e da possibilidade de manter a economia minimamente sob controle. Ministro da Fazenda de Michel Temer, ocupou o cargo de presidente do Banco Central no governo Lula. Meirelles sempre sonhou com a Presidência da República e era um dos nomes articulados por Lula para ser vice de Dilma Rousseff. Foi abatido dentro do próprio PMDB e por Temer. O problema central para que seu nome seja visto como uma possibilidade real de sucessão é a sua ligação com o grupo J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista. Ele foi contratado em março de 2012 para presidir o conselho consultivo da holding e estruturar um modelo de governança corporativa. A ligação com Joesley Batista, o delator que implicou Temer, torna inviável o apoio ao nome dele por parte de setores do PMDB e do próprio PSDB. Pedro Simon Ex-senador, do PMDB, Simon sempre foi visto como um exemplo de ética dentro do Congresso, onde permaneceu por quase três décadas. Seu nome começou a ser aventado dentro do PSDB e do PMDB nos últimos dias. O peemedebista, porém, também teria a idade a seu desfavor: Simon tem hoje 87 anos. Cármen Lúcia Presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), o nome da mineira apareceu logo nas primeiras horas após a bomba contra Temer estourar. A ministra do STF, porém, não é filiada a nenhum partido político (o que pode se tornar um impeditivo para que possa concorrer) e já deixou claro que não pretende abandonar a magistratura.

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