Em Versalhes, Macron confronta Putin

Em encontro marcado por desacordos e distanciamento político, presidente francês aborda temas espinhosos para Moscou, como guerra na Síria, direitos dos gays na Chechênia e influência russa em eleições.O presidente francês, Emmanuel Macron, recebeu nesta segunda-feira (29/05) o presidente da Rússia, Vladimir Putin, no Palácio de Versalhes, nos arredores de Paris. É a primeira visita de um líder estrangeiro à França desde que o centrista assumiu o cargo, em 14 de maio passado. O encontro foi marcado pelo distanciamento político, numa quase queda de braço: os dois líderes não deixaram de expressar diferenças, e Macron confrontou Putin sobre temas como influência russa em eleições, a guerra na Síria e direitos dos gays na Chechênia. Entre os dois presidentes, o encontro foi visto como uma oportunidade de reaproximação para os dois países, diante das relações estremecidas entre o governo em Moscou e o antecessor de Macron, François Hollande, nos últimos anos. Em pronunciamento à imprensa após a reunião, Macron descreveu a conversa com o homólogo russo como uma "troca franca", em que foram discutidos diversos "desacordos" entre os governos. Sobre a Síria, por exemplo, o recém-eleito presidente francês expressou seu desejo de reforçar a cooperação com a Rússia no combate ao terrorismo, que é "a prioridade absoluta" do governo em Paris no país do Oriente Médio. Macron, contudo, fez um alerta a Moscou, indicando que não vai tolerar o uso de armas químicas no âmbito da guerra síria. "Há um limite muito claro para nós: a utilização de armas químicas, por quem quer que seja, será objeto de represálias e de uma resposta imediata da França." Em abril, o governo francês acusou o regime sírio de Bashar al-Assad de ter sido o responsável pelo ataque químico na cidade de Khan Cheikhoun, que deixou mais de 80 mortos no início do mês passado. A Rússia colabora com o governo de Damasco no conflito. Em resposta a Macron, Putin reiterou seu apoio a Assad e disse que o presidente francês conhece bem a posição russa na guerra civil. "Não podemos lutar contra a ameaça terrorista destruindo o Estado", afirmou. Em seguida, reforçando a sugestão do colega francês, o líder russo defendeu uma união de esforços entre os dois países na luta contra o terrorismo. Ingerência russa nas eleições francesas Durante a corrida eleitoral francesa, Putin chegou a receber em Moscou a principal rival de Macron na disputa, a populista de direita Marine Le Pen. À época, a campanha do então candidato centrista ainda chegou a acusar os russos de tentarem interferir no processo eleitoral, montando uma campanha de difamação contra Macron. Em Versalhes nesta segunda-feira, o francês mencionou a questão, afirmando que os veículos russos Sputnik e Russia Today, financiados pelo Kremlin, "foram órgãos de influência e de propaganda" durante a campanha presidencial na França. Putin, por sua vez, voltou a negar qualquer tentativa de ingerência no pleito por parte do governo em Moscou. Também rejeitou a ideia de que seus encontros com Le Pen tinham como objetivo influenciar o voto contra Macron. Sobre ter recebido a então candidata populista de direita, Putin argumentou que seria estranho recusar encontros com políticos europeus que querem estreitar relações com Moscou. Perseguição a gays na Chechênia Em reuniões diplomáticas recentes, o líder do Kremlin tem sido pressionado diante das denúncias de tortura e assassinato de homossexuais na república russa da Chechênia. Com Macron não foi diferente. Ao lado de Putin, o líder francês prometeu estar "constantemente atento" ao respeito dos direitos humanos na Rússia e na Chechênia. Segundo ele, o presidente russo se comprometeu a solucionar as denúncias de perseguição a homossexuais na república. "O presidente Putin me disse que tomou várias iniciativas sobre a questão LGBT na Chechênia, incluindo medidas para alcançar a verdade plena sobre as atividades das autoridades locais e resolver as questões mais sensíveis", afirmou Macron. Nesta segunda-feira, a organização de direitos humanos Anistia Internacional havia pedido, em Paris, para que o presidente francês pressionasse Putin sobre a questão. EK/afp/dpa/efe/lusa/rtr

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