Mundo reage à decisão de Trump de deixar Acordo de Paris

Entidades e líderes internacionais rechaçam retirada dos EUA e reafirmam comprometimento com pacto climático, assinado por 200 países em 2015 para frear aquecimento global. Europeus negam que acordo seja renegociável.A decisão do presidente americano, Donald Trump, de retirar os Estados Unidos do Acordo de Paris provocou reações negativas na comunidade internacional nesta quinta-feira (01/06). Assinado em 2015 por quase 200 países, o tratado prevê a redução global das emissões de gases do efeito estufa e do uso de combustíveis fósseis, numa tentativa de frear as mudanças climáticas. Opinião: A favor do clima, mesmo sem Trump Em discurso na Casa Branca para anunciar sua decisão, Trump expressou a intenção de Washington de tentar renegociar o pacto, de uma forma que seja mais vantajosa aos EUA. A declaração foi logo rebatida pelos governos europeus da Alemanha, França e Itália, que emitiram um comunicado conjunto para afirmar, "com firmeza, que o acordo não será renegociado". Veja reações de líderes e entidades internacionais sobre a questão: Barack Obama Antecessor de Trump, o ex-presidente democrata foi o primeiro a criticar a decisão do republicano de abandonar o acordo, assinado por ele em 2015. "Apesar de essa administração ter se unido a um punhado de nações que rejeitam o futuro, estou confiante que nosso estados, cidades e empresas vão seguir em frente e fazer ainda mais para indicar o caminho e ajudar a proteger, para as futuras gerações, o único planeta que temos", afirmou Obama em comunicado. União Europeia O comissário europeu do clima, Miguel Arias Cañete, afirmou que a União Europeia (UE) "lamenta profundamente a decisão unilateral do governo Trump", garantindo que o Acordo de Paris "persistirá". "Hoje é um dia triste para a comunidade internacional, em que um parceiro fundamental vira as costas para a luta contra as mudanças climáticas", disse Cañete em comunicado. O europeu observou que o acordo do clima, apesar de "ambicioso", não é "normativo", porque permite que cada uma das partes planeje "sua própria maneira de contribuir para as metas". "Portanto, há espaço para os EUA traçarem seu próprio caminho dentro do acordo", contestou. Líderes em Bruxelas Jean-Claude Juncker, presidente da Comissão Europeia, classificou a decisão americana como "profundamente equivocada". "Nem tudo que é lei, e nem tudo que está escrito em tratados internacionais, é notícia falsa. Você tem que entender isso", afirmou. Já Antonio Tajani, presidente do Parlamento Europeu, defendeu que o pacto climático precisa ser respeitado. "É uma questão de confiança. O Acordo de Paris está vivo e vamos colocá-lo em prática, com ou sem a administração americana." Nações Unidas "A decisão dos Estados Unidos de se retirar do Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas é uma grande decepção para os esforços globais de redução das emissões de gases de efeito estufa e para promover a segurança mundial. A transformação prevista no Acordo de Paris já está em andamento", afirmou o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, em comunicado. Angela Merkel A chanceler federal da Alemanha telefonou para Trump após o anúncio, declarando que lamenta a saída americana e que Berlim se manterá firme no Acordo de Paris. "Lamento a decisão do presidente dos EUA. Em frente com toda a força em prol de uma política climática global que proteja nossa Terra", disse Merkel, citada pelo porta-voz do governo alemão, Steffen Seibert, no Twitter. Emmanuel Macron O presidente da França classificou a decisão de Trump como "um erro tanto para os EUA como para nosso planeta". "Não se engane: no clima, não há plano B, porque não há planeta B", acrescentou o líder, dirigindo-se ao governo em Washington. Ele ainda fez um trocadilho com o famoso slogan do republicano: "Todos temos a mesma responsabilidade: tornar nosso planeta grande outra vez". Em discurso em inglês, Macron convidou à França todos os cientistas americanos desapontados com a decisão de seu presidente. "Venham trabalhar conosco, para juntos encontrarmos soluções concretas para o nosso clima e meio ambiente." Justin Trudeau O primeiro-ministro do Canadá declarou que seu país está "profundamente desapontado" com a escolha tomada pela nação vizinha. "Enquanto a decisão dos EUA é desanimadora, nós seguimos inspirados pelo crescente impulso em todo o mundo para se combater as mudanças climáticas e para a transição para economias de crescimento sustentável", afirmou Trudeau. China "A China continuará defendendo seus compromissos com o acordo climático de Paris. Temos consciência de que se trata de um pacto de consenso global e que, como grande nação em desenvolvimento, devemos assumir nossa responsabilidade internacional", disse o primeiro-ministro chinês, Li Keqiang. Em 2007, o país superou os EUA como o maior emissor de gases de efeito estufa. Rússia O presidente russo, Vladimir Putin, tentou minimizar as preocupações causadas pela decisão de Trump, pedindo um diálogo construtivo sobre os esforços para reduzir o aquecimento global. Putin ressaltou a importância do Acordo de Paris, mas observou que o pacto oferece uma larga margem de manobra para cada um dos países signatários. Segundo o presidente russo, a promessa de Trump de negociar novas condições para os EUA traz esperanças de que seja possível chegar a um consenso antes de o acordo entrar em vigor, em 2021. Ele disse ainda que a participação americana é fundamental para o êxito dos esforços globais. "Se um dos maiores emissores, como os Estados Unidos, não cooperarem inteiramente, então não será possível chegar a acordo algum", afirmou. A Rússia, o 5º maior poluidor global, é a maior nação industrializada a não ter ratificado o tratado. Brasil Em comunicado conjunto, os ministérios das Relações Exteriores e do Meio Ambiente afirmaram que o "governo brasileiro recebeu com profunda preocupação e decepção" o anúncio de Trump. "Preocupa-nos o impacto negativo de tal decisão no diálogo e cooperação multilaterais para o enfrentamento de desafios globais", diz o texto. "O Brasil continua comprometido com o esforço global de combate à mudança do clima e com a implementação do Acordo de Paris. (...) [Trata-se de um] processo irreversível, inadiável e compatível com o crescimento econômico." Paris e Pittsburgh Em seu discurso nesta quinta-feira para anunciar a retirada dos EUA do acordo climático, Trump chegou a declarar que "foi eleito para representar os cidadãos de Pittsburgh, não de Paris". A declaração polêmica provocou reações dos líderes de ambas as cidades no Twitter. "Como prefeito de Pittsburgh, posso assegurar a vocês que nós seguiremos as diretrizes do Acordo de Paris para nosso povo, nossa economia e nosso futuro", rebateu Bill Peduto, que governa a cidade localizada no estado americano da Pensilvânia. Anne Hidalgo, prefeita da capital francesa, compartilhou a mensagem de Peduto na rede social, com o seguinte comentário: "Mais uma vez, Donald Trump está errado. Paris e Pittsburgh estão, sim, unidas para o Acordo de Paris". EK/afp/dpa/lusa/rtr/efe/ots

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