Um ano depois, lembrança do atentado paira sobre mercado natalino de Berlim

Richard Fuchs (rk)

Feira de Natal do largo Breitscheidplatz, em Berlim, começa com segurança reforçada. Lembranças da tragédia estão vivas, mas frequentadores e vendedores afirmam que não vão se deixar intimidar pelo medo.A pergunta "por quê?" estava escrita em letras vermelhas numa tábua, colocada numa pequena escadaria ao lado da Igreja Memorial Kaiser Wilhelm, no largo Breitscheidplatz, em Berlim, na abertura do mercado de Natal, nesta segunda-feira (27/11).

Em meio a várias casinhas de madeira – os estandes tradicionais de vendas de produtos das feirinhas alemãs de Natal – um memorial improvisado acabou sendo erigido em volta da placa, com velas, flores, árvores de Natal e duas cruzes brancas de madeira.

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Desta maneira, os berlinenses lembraram o atentado que, mesmo um ano depois, ainda causa perplexidade na capital alemã. Em 19 de dezembro de 2016, o tunisiano Anis Amri avançou com um caminhão roubado contra os visitantes do mercado de Natal, matando 12 pessoas e deixando 70 feridas, algumas delas em estado grave. Em minutos, o clima de festa dava lugar ao medo na cidade.



"Aí é que eu vou, mesmo"

Um ano depois, os primeiros frequentadores do mercado de Natal deixam claro que as lembranças do que aconteceu estão presentes. "Mesmo agora já se sente uma espécie de incômodo quando se está aqui", disse um berlinense que, apesar de tudo, insistiu em admirar a praça enfeitada. Uma outra visitante acrescentou que "a inquietação já chegou".

Mas o consenso entre expositores e frequentadores é de que as pessoas não devem se deixar intimidar pelo medo. Diante do perigo do terrorismo, muitos tentam transmitir um clima de "aí é que eu vou, mesmo". Pouco depois da abertura, os espaços entre os estandes estavam praticamente lotados.

É pouco provável que a feira de Natal deste ano transcorra dentro de um clima de absoluta normalidade no largo Breitscheidplatz. Não só por causa das lembranças do que aconteceu, mas também devido à presença de inúmeras equipes de televisão, que relatam sobre o mercado de Natal mais famoso de Berlim, um ano depois do atentado.



Homenagem às vítimas

O ministro do Interior, Thomas de Maizière, apelou aos alemães para que não deixem de ir aos tradicionais mercados de Natal. "Eles fazem parte da nossa vida e da nossa cultura", disse o ministro ao jornal Bild. Por isso, os cidadãos devem estar atentos, mas não temerosos, pediu De Maizière.

Os vendedores das barraquinhas atenderam ao apelo. Segundo o presidente da associação dos expositores, Michael Roden, quase todos retornaram para o mercado este ano. Segundo ele, esse é também um sinal de consciência do poder simbólico de uma ausência. Roden calcula que o número de visitantes também não vai variar muito na comparação com anos anteriores: entre 1,2 milhão e 1,5 milhão de pessoas.

Antes da abertura oficial do mercado de Natal, muitos vendedores se reuniram na Igreja Memorial para uma homenagem silenciosa. Ao lado do altar, 12 velas foram acesas em memória das vítimas. O pastor Martin Germer exortou os expositores a não esquecerem o ocorrido, mas também a não deixar de lado a sua tarefa de dar vida ao mercado.



Policiais com metralhadoras

As medidas de segurança foram nitidamente aumentadas não só no largo Breitscheidplatz, mas em toda a Alemanha. As áreas de acesso estão protegidas por blocos de concreto, que evitam novos ataques com veículos. Além disso, haverá visivelmente mais patrulhas de seguranças e policiais, alguns deles com metralhadoras. Câmeras de vigilância e alto-falantes para anúncios de emergência completam o esquema de segurança.

"O risco de terrorismo é simplesmente alto demais, a qualquer momento e em qualquer lugar", disse De Maizière. Ele acrescentou, porém, que não há sinais de ameaça concreta à segurança.

Portanto, a temporada dos mercados de Natal pode começar em toda a Alemanha, incluindo Berlim. Na capital, haverá apenas um dia de exceção: em 19 de dezembro, um ano após o atentado, o mercado de Natal na praça Breitscheidplatz estará fechado. Nesse dia será inaugurado o monumento em memória das vítimas. Ele consiste de uma marcação dourada que se estende pelo piso do largo.

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