Conflito no norte de Myanmar provoca fuga de 4 mil pessoas

Aumento de combates entre rebeldes e exército desta vez afeta minoria cristã que vive no Estado de Kachin. Milhares de pessoas estão fugindo de suas casas em meio à escalada do conflito entre o exército de Myanmar e um grupo de rebeldes que atua no isolado norte do país, informou nesta sexta-feira (27/04) o Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA, na sigla em inglês).

Os combates ocorrem no estado de Kachin, na fronteira do país com a China. Segundo a ONU, apenas nas últimas três semanas quatro mil pessoas fugiram da região.

Antes disso, cerca de 15.000 pessoas já haviam fugido da região desde o início do ano. Outras 90.000 passaram a viver em campos de deslocados nos estados de Kachin e Shan desde o fim em 2011 de um cessar-fogo entre o governo e o Exército da Independência Kachin, que luta desde 1961 por mais autonomia para a região.

"Os relatórios que temos recebido de organizações locais apontam que muitos civis ainda permanecem presos em áreas afetadas pelo conflito", disse Mark Cutts, coordenador do OCHA, sobre a mais nova de conflitos.

O OCHA não conseguiu confirmar se civis morreram em meios aos combares. O governo de Myanmar não comentou.

O conflito em Kachin envolve insurgentes que fazem parte da minoria que batiza o Estado. Há anos o país registra choques entre o governo central, dominado pela maioria budista do Mianmar, e diferentes grupos étnicos e religiosos.

O povo kachin é formado em sua maioria por cristãos e representa a maior fatia desse grupo religioso no país, onde 6% da população é cristã – o segundo maior grupo religioso depois dos budistas.

Nos últimos dois anos, o país tem recebido destaque internacional por causa do conflito envolvendo outra minoria, o povo rohingya, que segue o islã e vive no oeste do país. Desde o final de 2016, 700 mil pessoas da minoria fugiram de Myanmar e seguiram para Bangladesh. O Exército de Myanmar foi acusado por diversas entidades e ativistas de promover uma limpeza étnica contra o grupo. A líder do país, Aung San Suu Kyi, que recebeu o prêmio Nobel da Paz em 1991 vem sendo criticada por não conseguir impedir a violência contra minorias no país.

JPS/rt/afp

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