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Partido de Merkel debate futuro sem a chanceler

Rebecca Staudenmaier

22/11/2019 12h57

Em convenção anual, conservadores da CDU tentam remediar divisões internas e preparar a legenda para o período posterior à aposentadoria de Merkel. Chanceler federal da Alemanha pretende deixar o cargo em 2021."O futuro ainda não está definido, ele está em nossas mãos", disse Annegret Kramp-Karrenbauer, a presidente do partido governista União Democrata-Cristã (CDU), em um discurso veemente e bastante aguardado, proferido nesta sexta-feira (22/11) em Leipzig.

Aproximadamente mil partidários da CDU estão reunidos na cidade no leste da Alemanha para a convenção anual da legenda conservadora, que tem recebido um apoio cada vez menor, segundo pesquisas de opinião e os recentes resultados desanimadores em eleições estaduais.

"Tivemos um ano difícil. Admito isso", disse Kramp-Karrenbauer ao citar especificamente a queda dos conservadores no percentual de votos nas eleições recentes nos estados do leste da Alemanha.

Entre os tópicos abordados, a líder conservadora – que também é ministra da Defesa – deu uma atenção especial à digitalização. Kramp-Karrenbauer defendeu a criação de um novo ministério, no qual o foco principal seria acelerar a digitalização na Alemanha e colocar o país no mesmo nível das outras nações com melhores redes móveis e de internet.

Em uma indireta a seus rivais e críticos, Kramp-Karrenbauer afirmou que criticar o governo da chanceler federal alemã, Angela Merkel, e dizer que o partido está fazendo tudo errado "não é uma boa estratégia de campanha".

Kramp-Karrenbauer também pressionou por mais ajuda e cooperação com países da África. "Se não o fizermos, quem fará? Hoje temos que ter solidariedade com aqueles que precisam de nossa ajuda."

O que está em jogo?

A CDU se encontra numa encruzilhada enquanto se prepara para um futuro sem a chanceler federal Merkel, que não concorrerá à reeleição quando seu quarto mandato terminar em 2021. Kramp-Karrenbauer tem sido vista como possível sucessora de Merkel, mas a líder conservadora vem perdendo apoio nas pesquisas e também dentro do partido. Com ainda um ano na liderança da CDU, ela tem em Friedrich Merz um rival em potencial.

A União Democrata Cristã também tem sofrido com divisões internas, com os campos dos mais conservadores e dos mais centristas do partido numa batalha pelo controle sobre a direção e o posicionamento a ser tomado pela legenda.

Na convenção, os membros do partido também debaterão uma série de outras questões, incluindo o papel da empresa chinesa Huawei na construção da futura rede 5G na Alemanha, a proibição de véu para meninas, se bandeiras nacionais devem ser hasteadas do lado de fora de escolas, assim como sobre uma possível reconsideração dos planos do governo alemão para uma aposentadoria básica.

Quem é Annegret Kramp-Karrenbauer?

Kramp-Karrenbauer, também conhecida pelo acrônimo AKK, foi eleita líder da CDU no ano passado, depois que Merkel deixou a liderança do partido. Ela também atua como ministra da Defesa e tem pressionado para impulsionar as Forças Armadas da Alemanha e defende que o governo alemão desempenhe um papel mais sólido no cenário internacional. Antes, ela foi governadora do pequeno estado do Sarre, no extremo oeste do país.

Quem é Friedrich Merz?

Conhecido por ser conservador em temas relacionados a questões fiscais e sociais, Merz criticou a posição centrista do partido sob a liderança de Merkel. Muitos de seus apoiadores expressam que essa guinada fez com que muitos eleitores se bandeassem para o partido populista de direita Alternativa para a Alemanha (AfD).

Merz perdeu a votação para liderar o partido no ano passado, mas permaneceu sendo uma voz proeminente na sigla por suas críticas ao trabalho do governo em Berlim. Antes de ressurgir no cenário político no ano passado, Merz atuou como membro do conselho da BlackRock, a maior corporação de gerenciamento de investimentos do mundo.

Qual papel Merkel está desempenhando?

Embora ela seja o membro mais proeminente do partido, a chanceler federal ficará em segundo plano durante a convenção partidária deste ano. Merkel fez um discurso de abertura na sexta-feira, no qual defendeu o trabalho feito por seu governo e pleiteou apoio ao multilateralismo, mas deixou claro que não será ela que conduzirá o direcionamento futuro do partido.

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Autor: Rebecca Staudenmaier

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