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Grécia vai receber em Atenas refugiados e imigrantes barrados na fronteira

Refugiado faz fogueira perto de barracas na fronteira entre Grécia e Macedônia - Muhammed Muheisen/ AP
Refugiado faz fogueira perto de barracas na fronteira entre Grécia e Macedônia Imagem: Muhammed Muheisen/ AP

Em Atenas (Grécia)

01/12/2015 13h39

O ministro de Migração da Grécia, Yanis Muzalas, afirmou nesta terça-feira (1º) que o governo pretende transferir para Atenas os refugiados e imigrantes que estão bloqueados na fronteira entre a Grécia e a Macedônia há mais de dez dias.

"Temos uma campanha para levá-los desde Idomeni (na fronteira com a Macedônia) a Atenas. Existe o estatuto legal do refugiado, e a seleção de refugiados com base em sua nacionalidade é ilegal. Esta lei foi violada por outros países e nós temos que enfrentar as consequências", disse Muzalas em entrevista à rádio Alfa.

Em 20 de novembro, as autoridades da Antiga República Iugoslava da Macedônia fecharam a fronteira para todos os cidadãos que não fossem de Síria, Afeganistão ou Iraque, alegando que Sérvia, Eslovênia e Croácia --os países seguintes à Macedônia na rota dos refugiados pelos Bálcãs-- adotaram esta medida antes.

Desde então, cerca de 1.500 pessoas esperam acampadas ao redor das linhas de trem para exigir o direito de passar e poder continuar sua rota rumo aos países do centro e do norte da Europa.

Este fato interrompeu durante nove dias a circulação dos comboios de transporte de mercadorias entre Grécia e Macedônia, o que Muzalas afirmou que não pode continuar.

De acordo com Thanasis Ziliaskopoulos, presidente da Trainose, a empresa de ferrovias gregas, as perdas por não poderem entregar mercadorias chegam a 1,5 milhão de euros (cerca de R$ 6 milhões).

O ministro de Migração, que participou da cúpula entre União Europeia (UE) e Turquia realizada no domingo, disse que o governo grego responsabiliza a Turquia pela solução deste problema.

"Deixamos finalmente claro que a porta é a costa da Turquia. Dali começa o trânsito", disse Muzalas, que considerou "um sucesso diplomático do governo" ter conseguido fazer isto ser reconhecido.

"Agora, a Turquia deve dar mostras de que tem direito ao que foi prometido, se não, não receberá", disse Muzalas, em alusão aos 3 bilhões de euros que serão repassados ao país para que possa lidar com os mais de 2,2 milhões de refugiados sírios acolhidos no país.

Enquanto isso, e apesar da deterioração das condições meteorológicas, os botes continuam chegando às ilhas gregas mais próximas da costa turca, como Lesbos, que registra um fluxo diário entre mil e 2.000 pessoas.

Mais de 3.000 refugiados e imigrantes desembarcaram hoje no porto ateniense do Pireo a bordo de três embarcações que partiram de várias ilhas do Egeu.