Falece ex-presidente salvadorenho Francisco Flores após 6 dias em coma

San Salvador, 31 jan (EFE).- O ex-presidente de El Salvador, Francisco Flores, processado por delitos de corrupção, morreu neste sábado no Hospital da mulher de San Salvador, onde foi internado em estado de coma clínico há seis dias, informou à Agência Efe o deputado da Aliança Republicana Nacionalista (Arena) Ernesto Muyshondt.

A morte do ex-presidente aconteceu por volta das 22h (horário loca, 2h do domingo em Brasília) a menos de uma semana de sofrer uma obstrução arterial em sua casa, onde estava em prisão domiciliar, pelos delitos de peculato, enriquecimento ilícito e desobediência a terceiros.

A morte do ex-chefe de Estado foi confirmada pelo presidente do partido Arena, Jorge Velado, e por outros membros deste instituto político que levou Flores ao poder.

"Neste momento de dor pela perda do ex-presidente Francisco Flores, nos solidarizamos com sua família, com seus irmãos do partido e com o valente povo salvadorenho que perdeu um de seus melhores líderes", publicou em suas redes sociais.

A Efe tentou se comunicar com o advogado de Flores, Edgar Morales Joia, para conhecer os detalhes de seu falecimento, mas ele não respondeu à ligação.

Perto de duas horas depois que a morte do ex-chefe de Estado foi confirmada, pessoal do Instituto de Medicina Legal chegaram até o referido hospital para fazer a autópsia.

Ao centro médico, protegido por agentes da Polícia salvadorenha, também começaram a chegar amigos da família e membros do partido Arena.

Flores, que governou El Salvador entre 1999 e 2004, era acusado de se apropriar de US$ 5 milhões e desviar outros US$ 10 milhões de doações taiuanesas destinadas a obras de reconstrução e de atendimento a vítimas de dois terremotos que afetaram o país em 2001.

Joia afirmou em declaração à Efe que, com a morte de Flores, o processo penal ficaria "definitivamente suspenso", para dar passagem a um "processo civil que teria que ser determinado" pelo juizado correspondente, em caso de existir.

Ele explicou que o Quinto Juizado de Sentenças de San Salvador deve emitir uma decisão judicial onde se estabeleça que a obrigação civil fica em discussão dentro de um julgamento.

Ramón Villalta, diretor-executivo de uma das organizações com representação na denúncia, explicou que "a responsabilidade e o processo penal contra ele terminam", mas não sua "obrigação civil" pelas acusações de corrupção.

"A responsabilidade civil terá que ser determinada" e "em caso de existir, terá que se seguir um procedimento para a recuperação, por parte do Estado, desses bens", acrescentou Villalta.

Especialistas do hospital Rosales fizeram na quarta-feira passada um check up no ex-chefe de Estado, a pedido da denúncia, e determinaram que ele sofreu um infarto com edema cerebral severo da artéria média esquerda e que isto provocou uma deterioração neurológica irreversível.

O ex-presidente, que sofria de trombose em sua perna direita e problemas de vesícula, também foi hospitalizado em 22 de dezembro, após sofrer um sangramento interno, mas nessa ocasião não chegou a perder a consciência.

Igualmente já tinha sido hospitalizado durante 19 dias em outubro de 2014 por causa da trombose que sofria e pelos problemas biliares.

O ex-presidente estava em prisão domiciliar em sua casa e esperava um julgamento que foi adiado pelo Juizado de San Salvador, no dia 7 de janeiro, estando pendente de uma nova data até que se resolvesse o sistema de declaração das testemunhas que vivem no exterior.

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