Hipótese de homicídio no caso Nisman ganha respaldo na Justiça argentina

Buenos Aires, 25 fev (EFE).- Um promotor federal argentino emitiu nesta quinta-feira um ditame no qual aponta que seu colega Alberto Nisman, achado morto quatro dias após denunciar a então presidente do país, Cristina Kirchner, por suposto acobertamento de terroristas, foi vítima de homicídio.

Embora o ditame do promotor federal Ricardo Sáenz não seja vinculativo, o texto representa o primeiro apoio de um funcionário judicial à hipótese de que a morte de Nisman foi um homicídio, tal como sustentam as querelantes do caso.

"Concordo com as apelantes em que o objeto processual desta causa, de acordo com a prova produzida até o momento, é constituído pela hipótese de que Alberto Nisman foi vítima do crime de homicídio", afirmou Sáenz, que apoiou assim o pedido das querelantes de passar a causa à Justiça federal.

Até o momento, o caso está nas mãos da juíza Fabiana Palmaghini, da cidade de Buenos Aires, que não descartou a hipótese de suicídio.

Os representantes da mãe de Nisman e os advogados das filhas do promotor tinham argumentado que a causa devia ser tratada como um homicídio e que, por tratar-se de um funcionário do Ministério Público Fiscal, a investigação deveria acontecer na esfera federal.

"A vítima era um promotor federal e foi vítima de um crime por ocasião de sua atividade profissional", assegurou hoje à emissora "Todo Noticias" o advogado das filhas de Nisman, Manuel Romero Victorica.

Nisman, promotor especial que investigava o atentado realizado em 1994 contra a associação judaica Amia em Buenos Aires, foi encontrado morto em 18 de janeiro de 2015 no banheiro de seu apartamento, com um tiro na cabeça, quatro dias após denunciar Cristina Kirchner por acobertamento dos iranianos apontados como responsáveis do ataque.

No centro de sua denúncia, desestimada depois pela Justiça argentina, Nisman situava o memorando de entendimento assinado entre o país sul-americano e o Irã em 2013 para estabelecer uma Comissão da Verdade que revisasse a documentação na causa pelo atentado.

O promotor foi achado morto na véspera de comparecer ao Congresso para ampliar os alcances e a transcendência de sua denúncia contra Cristina, o ex-chanceler argentino Héctor Timerman e outros colaboradores kirchneristas.

"Já não cabem dúvidas de que não foi Alberto Nisman quem disparou a arma que lhe matou, o que necessariamente leva a concluir que foi vítima de um homicídio", disse Sáenz em seu ditame.

Mais de um ano depois da morte de Nisman, os investigadores realizaram hoje uma nova inspeção ocular no apartamento onde vivia o promotor.

Na causa só estão acusados o técnico em informática Diego Lagomarsino, por emprestar a Nisman a arma que acabou com sua vida, e os seguranças que deveriam protegê-lo, acusados de descumprimento dos deveres de funcionário público.

No entanto, Sáenz considerou que Lagomarsino também deveria ser acusado pelo suposto homicídio e que se deve atribuir "pouca credibilidade" à declaração do técnico em informática na qual assegura que Nisman tinha lhe pedido uma arma de fogo "para cuidar de suas filhas".

"A utilização de uma arma 'amiga' como arma 'assassina' é a melhor forma de montar posteriormente uma cena alterada de 'suicídio' para garantir a impunidade dos homicidas", argumentaram as querelantes, em uma hipótese que para Sáenz é "atinada".

A sala VI da Câmara do Crime será a encarregada de decidir se finalmente a causa passa ao âmbito federal, para o que fixou para o próximo dia 18 de março uma audiência na qual as partes ampliarão seus argumentos.

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