Governo colombiano confirma negociação com ELN, mas exige fim de sequestros

Bogotá, 30 mar (EFE).- O presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, afirmou nesta quarta-feira que a negociação de paz com a guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN) anunciada em Caracas será iniciada assim que estiverem resolvidos "temas humanitários", entre eles o fim dos sequestros.

"Para o governo não é aceitável avançar em uma conversa de paz com o ELN enquanto mantiver pessoas sequestradas", disse o chefe de Estado em pronunciamento na Casa de Nariño, sede do governo colombiano.

Representantes do governo e da guerrilha anunciaram hoje em Caracas o início de uma fase pública de negociação de paz, que terá como sede o Equador e sessões também no Brasil e em Venezuela, Chile e Cuba, que junto com a Noruega serão os fiadores do processo. No entanto, não foi marcada uma data para o começo dos diálogos.

Santos afirmou que com a definição da agenda de negociação, que consta de seis pontos, "é aberto o início da fase pública de conversas, a qual começará no Equador tão logo fiquem resolvidos temas humanitários, incluindo o dos sequestros".

Desde 2012, quando o governo iniciou um processo de paz em Cuba com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) e para o qual convidou o ELN a se juntar, Santos condicionou o fim dos sequestros para ter um diálogo com esta última guerrilha, de inspiração marxista-leninista e criada há 51 anos.

Neste mês o ELN libertou um militar e um funcionário público que mantinha em cativeiros, mas ainda é incerto se há mais reféns, embora algumas famílias tenham denunciado que entes queridos estão em poder do grupo armado.

Em seu pronunciamento, Santos ressaltou que o que se busca com esta negociação de paz é "que o ELN dê o passo à legalidade e se transforme em uma organização que faça política sem armas".

"O ELN foi parte do conflito armado e, com o passo que dá hoje, reconhece que este é o momento de buscar a paz, o valor supremo de qualquer sociedade", afirmou.

O presidente esclareceu que a negociação com o ELN terá "uma natureza muito diferente" do processo com as Farc em Havana, que começou há quase quatro anos, porque "são organizações muito diferentes, e porque o momento tem outras características".

"Ao invés de passar um longo tempo na mesa (de diálogos) redigindo acordos detalhados ponto após ponto, queremos promover processos de participação da sociedade nas regiões que sirvam de base para definir com o ELN medidas que contribuam para a construção da paz", explicou.

Santos ressaltou que o governo "tem limites muito claros em suas conversas com as guerrilhas" que não foram ultrapassadas.

"Desde o princípio deixamos claro ao ELN, como fizemos com as Farc, que a agenda para acabar a guerra não inclui a negociação de nosso sistema econômico ou político, nem o regime de propriedade privada. De forma alguma temas relacionados com a doutrina militar ou nossa polícia", advertiu.

Segundo o governante, nesta nova negociação, também da mesma forma que com as Farc, "as vítimas estarão no centro da solução do conflito".

No que se refere à entrega de armas, Santos declarou que com o ELN será preciso estabelecer "um cronograma preciso" que contenha "garantias de transparência para a sociedade colombiana".

"A paz não pode ser, nem será jamais, uma paz armada" enfatizou. EFE

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