Robô que matou atirador de Dallas coloca militarização da polícia em foco

Cristina García Casado

Em Washington

  • Reprodução/AP

    Atirador de Dallas (Texas, EUA) foi contido por um robô com bombas acopladas

    Atirador de Dallas (Texas, EUA) foi contido por um robô com bombas acopladas

A polícia de Dallas, nos Estados Unidos, recorreu de forma insólita a um robô com uma bomba acoplada, um instrumento utilizado até agora apenas em zonas de guerra, para neutralizar o autor do massacre de cinco agentes na última quinta-feira (7).

Analistas e fabricantes de armas concordam que esta é a primeira vez que se utiliza um robô para matar uma pessoa nos EUA, o que colocou em foco o debate sobre a militarização da polícia e o uso de tecnologia de controle remoto para tarefas de segurança.

Exércitos de todo o mundo têm robôs fabricados para o combate, incluindo os "drones" (aviões não tripulados) armados, mas não se tem constância de departamentos de polícia que possuam esse tipo de tecnologia.

No entanto, é comum que a polícia nos EUA tenha robôs como o utilizado em Dallas, que não foram desenvolvidos para o ataque, mas para detectar ou destruir explosivos.

Modelos similares foram utilizados com o mesmo fim nos combates no Iraque e no Afeganistão.

O insólito do caso é que os agentes decidiram, em uma tentativa desesperada de render o atirador, dar ao robô um novo propósito: lhe acoplaram explosivos e os detonaram quando este chegou perto do agressor.

Reuters
Micah Xavier Johnson matou 5 policiais em Dallas antes de ser morto por um robô

Até agora já se tinha visto outros usos imaginativos para este tipo de robô em operações policiais, mas nunca incorporar uma bomba a fim de matar um suspeito.

Robôs como o de Dallas foram utilizados para levar objetos a suspeitos ou reféns, para distrair criminosos ou para comunicar-se com um atirador.

Não se sabe ainda se o robô utilizado no massacre de Dallas deixou o explosivo e se retirou para evitar danos ou se foi destruído com a detonação.

A polícia de Dallas optou por este recurso insólito para proteger seus agentes e após várias horas de negociações e troca de tiros com o atirador, Micah Xavier Johnson, um ex-soldado do Exército americano que voltou do Afeganistão em 2015.

"Não vimos outra opção que a de usar nosso robô para bombas e colocar-lhe um aparelho explosivo para que detonasse onde estava o suspeito. Outras opções teriam exposto nossos agentes a um grande perigo", explicou na sexta-feira o chefe de polícia de Dallas, David Brown.

Segundo vários veículos de comunicação americanos, o departamento comprou o robô há alguns anos como parte de um programa por meio do qual o Pentágono vende equipamento militar usado às forças de segurança do país.

Por isso, o uso de um robô com explosivos reforçou as críticas dos que apontam que os departamentos de polícia americanos estão militarizados demais.

Esse foi um dos debates durante os protestos desencadeados pela morte do jovem negro Michael Brown, baleado por um policial branco em 2014, aos quais os agentes locais responderam munidos de equipamento militar.

O professor da Universidade de Washington e especialista em leis e robótica, Ryan Calo, não considera que o uso do robô em uma situação excepcional como a de Dallas abra alguma questão legal, embora se trate de um assunto sensível.

"Outra coisa seria se os agentes usassem robôs terrestres e 'drones' em atividades rotineiras, o que seria problemático se tivessem força letal. Diminuiria a consciência situacional e tornaria mais fácil que as coisas escalassem", explicou Calo à revista "Fortune".

A polícia de Dallas não ofereceu mais detalhes sobre o modelo de robô usado nem esclareceu se este saiu ileso da explosão ou se puderam recuperá-lo.

As autoridades insistem apenas que, graças ao aparelho e à imaginação dos agentes, se pôde pôr fim a um massacre que comoveu o país e deixou um pesado rastro de dor, indignação, luto e divisão racial.

Vídeo flagra atirador disparando contra policiais em Dallas (EUA)

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