Terapeuta alertou sobre possível "suicídio espetacular" de sírio em Ansbach

Em Berlim

  • Daniel Karmann/ DPA/ AFP

    25.jul.2016 - Policial inspeciona mochila usada para carregar explosivos por suspeito de atentado suicida em Ansbach, Alemanha

    25.jul.2016 - Policial inspeciona mochila usada para carregar explosivos por suspeito de atentado suicida em Ansbach, Alemanha

O terapeuta que tratou Mohammed Daleel no ano passado, o solicitante sírio de refugio que no domingo detonou uma bomba ao lado de um festival de música na cidade de Ansbach, tinha escrito em um ata que o paciente era capaz de encenar um "suicídio espetacular" caso fosse expulso da Alemanha rumo à Bulgária.

Conforme os relatórios publicados nesta quarta-feira (27) pelo jornal "Bild", o homem, que antes do ataque que deixou 15 pessoas feridas, gravou um vídeo jurando lealdade ao grupo terrorista Estado Islâmico (EI), tinha falado diversas vezes aos psicólogos que tratavam dele sobre suas intenções suicidas.

Em dezembro de 2014, o pedido de asilo de Mohammed Daleel foi negado, porque ficou comprovado que ele já tinha recebido proteção anterior na Bulgária, mas a devolução a esse país foi suspensa dois meses depois graças a diversos relatórios médicos que falavam sobre os problemas de saúde - primeiro físicos e depois psicológicos - do jovem.

No entanto, no último dia 13, ele foi informado de que a ordem de saída havia sido reativada e que ele teria 30 dias para deixar a Alemanha.

Suas inclinações suicidas aparecem descritas em relatórios médicos do início do ano passado, quando Mohammed Daleel foi tratado em uma clínica de Ansbach depois de fazer vários cortes no braço esquerdo.

Segundo o relatório de um terapeuta que esteve com ele, com a ajuda de um intérprete, em fevereiro do ano passado para tentar impedir sua expulsão da Alemanha, o jovem confessou que tinha pensamentos suicidas e que tinha elaborado preparativos no caso de uma devolução à Bulgária. O terapeuta acreditava que ele era capaz de encenar um suicídio "espetacular": "Após a morte de sua mulher e de seu filho de seis meses, ele não tem nada mais a perder", afirmou em seu relatório.

A ata cita ainda uma possível tentativa de suicídio anterior e relata como ele foi contido em uma ocasião quando se dirigia aos escritórios de imigração com uma garrafa de gasolina.

O texto do terapeuta, anexado ao expediente que as autoridades responsáveis da tramitação das solicitações de asilo tinham, concluía que o risco de suicídio era muito elevado caso fosse ordenada a expulsão de Mohammed Daleel da Alemanha.

 

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