Desalojados de Amatrice se preparam para enfrentar sua 2ª noite sem moradia

Laura Serrano-Conde.

Amatrice (Itália), 25 ago (EFE).- Os moradores desabrigados da pequena cidade de Amatrice, no centro da Itália, se preparam nesta quinta-feira para passar sua segunda noite em acampamentos depois que perderam suas casas no terremoto devastador que sacudiu a região.

Este é o caso de Giulia Vizzoni, que no momento do terremoto se encontrava em casa com seu marido, sua filha, seu genro e suas duas netas.

Já na noite passada, ela e sua família dormiram no primeiro acampamento com capacidade para 350 pessoas que foi instalado para oferecer assistência aos atingidos pela tragédia.

"Dormimos no chão, havia cobertores mas... vamos ver como será esta noite", comentou Giulia à Agência Efe.

A mulher relatou que nenhum de seus familiares sofreu ferimentos, mas confirmou que sua casa é uma das que não resistiram ao terremoto.

"Felizmente, não aconteceu nada com nenhum de nós, mas estamos sem casa. Como vamos passar o inverno?", refletiu Giulia preocupada.

A mulher explicou que Amatrice é uma cidade pequena - com cerca de 2 mil habitantes - e que todos os moradores se conhecem.

"Perdemos tantos amigos. Esta é uma cidade pequena, conhecíamos todos aqui", disse Giulia, visivelmente emocionada.

A mulher lembrou que esta é a segunda vez que o centro da Itália treme em sete anos, mas considerou este terremoto "muito mais forte" que o de L'Aquila em 2009, no qual morreram 300 pessoas.

A dor e o desespero ficam evidentes no rosto de Giulia quando ela confessa que sua neta lhe pergunta diariamente se algum conhecido "morreu".

"Temos que tentar sair daqui, ela nos ouve falar... e pergunta", lamentou.

Como ela, centenas de pessoas se preparam para dormir em diferentes acampamentos instalados pela Defesa Civil pela segunda noite seguida.

Até a tarde de hoje, apenas um acampamento havia sido habilitado com capacidade para 350 pessoas.

Por volta de mil pessoas, metade da população de Amatrice, ficaram desalojadas após o terremoto, que castigou esta região montanhosa da Itália, ao norte de Roma, durante a madrugada de quarta-feira.

Os outros desabrigados que não puderam dormir no acampamento passaram a noite em casas de parentes ou em carros e barracas próprias.

Hoje, no entanto, foram instalados mais dois acampamentos em áreas próximas, que não sofreram danos severos.

Um deles está funcionando em uma área próxima e leva o nome de Friuli Venezia Giulia (região do nordeste da Itália) e o segundo é da associação italiana de voluntários Ampas. Os dois têm capacidade para 300 pessoas cada.

Por volta das 19h30 locais (14h30 de Brasília), ônibus das autoridades italianas se deslocaram até Amatrice para transferir as pessoas aos respectivos acampamentos.

Assim que chegam ao local, as vítimas são identificadas e direcionadas às barracas disponíveis, explicou um integrante da Defesa Civil que preferiu permanecer no anonimato.

Os acampamentos contam com centros temporários de assistência médica e psicológica, farmácias e também pessoas que oferecem comida, água e cobertores aos atingidos.

Muitos voluntários ainda chegavam hoje neste pequeno município da província de Rieti com a intenção de ajudar, mas a Defesa Civil pediu que essas pessoas abandonem a região a partir de amanhã para que as equipes de resgate possam trabalhar com mais intensidade.

Enquanto isso, os efetivos mobilizados continuarão durante a noite com os trabalhos de busca de possíveis sobreviventes, porque ainda teme-se que centenas de desaparecidos estejam sob os escombros.

Amatrice foi um dos municípios mais afetados pelo terremoto de quarta-feira. Cerca de 250 pessoas morreram nas diversas localidades do centro da Itália que sofreram danos pelo terremoto, segundo dados oficiais.

Só em Amatrice morreram 193 pessoas, segundo as últimas informações da Defesa Civil italiana.

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