Insetos comestíveis, uma indústria de futuro liderada pela Tailândia

Noel Caballero.

Bangcoc, 25 ago (EFE).- Misturadas em molho, em espirais de massa ou com forma de biscoito e hambúrgueres, são algumas da maneiras de aproximar os comensais das refeições preparadas a base de insetos comestíveis, uma indústria de futuro liderada pela Tailândia.

"O país já é o líder global da indústria de insetos comestíveis em vários sentidos", afirmou à Agência Efe Patrick Durst, representante da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) no escritório de Bangcoc.

Na moderna capital tailandesa, onde residem milhões de trabalhadores procedentes de regiões mais empobrecidas, é comum encontrar pequenas carrocinhas onde é oferecida uma ampla variedade de insetos prontos para serem degustados.

Grilos, gafanhotos, vermes de seda e baratas d'água são algumas das mais de 1.600 espécies de insetos comestíveis, segundo a FAO, que podem ser encontradas nestes postos ambulantes.

Durst, que publicou em 2013 o relatório intitulado: "Gado de seis patas: gado de insetos comestíveis, coleta e comercialização na Tailândia", afirma que o país asiático conseguiu evoluir "de um sistema de subsistência para o consumo local até criar canais comerciais com valor agregado".

Mais de 250 empresas emergentes de todo o mundo iniciaram um movimento para levar os produtos preparados a base de insetos comestíveis até os pratos do mercado ocidental.

"A União Europeia, por exemplo, está trabalhando em um regulamento que regule o mercado dos insetos comestíveis dentro de suas fronteiras", declarou à Efe Massimo Reverberi, que no começo do ano fundou a Bugsolutely, uma empresa dedicada à produção de espirais de massa com farinha de grilo.

O empresário italiano, que optou por elaborar um produto de massa pela familiaridade de seu consumo, destacou que ainda topa com uma resistência "ilógica" dos mercados e consumidores.

"A barreira não é totalmente lógica, na Itália ou França, por exemplo, se come um tipo de queijo com vermes em seu interior. Para não mencionar produtos como as ostras ou os camarões, que parecem monstros. Mas as pessoas sentem repulsa pelos insetos", comentou Reverberi.

Os insetos comestíveis são catalogados pela FAO como um "superalimento" por suas propriedades nutritivas por serem ricos em proteínas, vitaminas e outros micronutrientes, lembrou o especialista das Nações Unidas.

Estes alimentos, segundo Durst, representam um impacto ambiental muito menor que as fazendas de gado bovino ou suíno e podem ajudar a garantir o desenvolvimento sustentável da indústria alimentícia.

"As fazendas de grilos são limpas e mantêm um controle ambiental, sem pesticidas nem produtos químicos que asseguram a saúde de seus produtos", salientou Reverberi.

Empresário e especialista fazem um apelo para que sejam elimininadas as políticas restritivas de comércio e sejam desenvolvidos protocolos de saúde que ajudem a potencializar a confiança do consumidor.

Um dos pontos fortes da Tailândia é o aumento do consumo local, apesar das reservas da população urbana.

Em algumas cadeias de supermercados, junto a batatas fritas, frutos secos e outros aperitivos, é possível encontrar bolsas de insetos comestíveis.

"Os tailandeses consomem muitos insetos. Antes os produtos só eram encontrados em postos de rua, por isso vimos uma oportunidade de investir nesta indústria e criar pacotes que podem ser comprados em supermercados", afirmou Thanat Chattatun, cuja empresa comercializa a marca de insetos comestíveis Hi-Sob.

Segundo o tailandês, a Hi-Sob vende 100.000 unidades ao mês de bolsas de grilos e de vermes de seda fritos em Tailândia, Mianmar, Camboja e Laos e têm planos de expandir seus negócios a Indonésia, China, França e Estados Unidos.

De acordo com os dados da FAO, 112 países de Ásia, Europa, África, América e Oceania praticam a "entomofagia", o consumo de insetos.

"Há possibilidades intermináveis com os insetos comestíveis, há cozinheiros que começaram a inovar com seus pratos e livros de culinária. As comidas têm um sabor agradável, o único problema é que na mente (dos comensais) há a imagem do inseto", disse Reverberi. EFE

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(foto)

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