Bombardeios na Síria deixam Aleppo à beira do desastre com quase 50 mortes

Susana Samhan.

Beirute, 24 set (EFE).- Os bombardeios contínuos estão deixando os bairros do leste da cidade de Aleppo, no norte da Síria, muito próximos de um desastre humanitário, com o constante assédio por parte do exército sírio e onde quase 50 pessoas morreram neste sábado pelos ataques de aviões sírios e russos.

"A situação é catastrófica, os aviões estão bombardeando a cidade de forma incessante desde ontem, não há nenhum lugar seguro", lamentou em declarações à Agência Efe pela internet o porta-voz da Defesa Civil Síria em Aleppo, Khaled Khatib.

Ao menos 50 pessoas morreram pelos ataques aéreos contra os distritos do leste de Aleppo, segundo os dados da Defesa Civil Síria, um grupo de voluntários que realiza trabalhos de resgate nas áreas que não são controladas pelo governo sírio.

Khatib destacou que entre os muitos feridos há "cinco capacetes brancos", forma como são chamados os integrantes da Defesa Civil Síria, que sofreram lesões quando participavam de trabalhos de salvamento no bairro de Al Kalads.

O Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH) afirmou que houve 45 mortes pelos bombardeios de aviões sírios e russos contra os distritos de Bustan al Qasr, Al Kalasa, Al Marya, Bab al Nairab, Tariq al Bab e Ard al Hamra, no leste de Aleppo.

Além disso, outras sete pessoas morreram em ataques similares nas populações de Atareb e Kafr Dael, a oeste de Aleppo.

No interior de Aleppo, o ativista Abdullah al Asani disse à Agência Efe pela internet que "a situação é muito ruim".

"O povo batizou o dia de hoje como 'o dia do juízo final'", revelou Asani, ao acrescentar que o bairro mais atingido pelos bombardeios foi o de Bustan al Qasr, onde ao menos 13 pessoas morreram e dezenas ficaram feridas.

"Não há lugar onde é possível se proteger em Aleppo", frisou o ativista, que acrescentou que as forças russas estão atacando a cidade com um tipo de projétil que causam grandes tremores de terra quando atingem o solo.

A Coalizão Nacional Síria (CNFROS), principal aliança opositora, afirmou hoje em comunicado que a Rússia está utilizando novas armas pela primeira vez na campanha militar de Aleppo, mas não detalhou o tipo de armamento.

"As investidas contínuas em Aleppo, uma das cidades habitadas mais antigas do mundo, causaram prejuízo amplo e maciço com o objetivo claro de matar e deslocar o máximo de civis sitiados dentro" da cidade, denunciou a coalizão opositora.

Na nota, a CNFROS acusou a comunidade internacional de prosseguir com sua "falta de ação frente aos crimes atrozes que são cometidos à luz do dia".

A aliança opositora também advertiu que esta passividade empurrará alguns sírios para o extremismo, o que pode trazer consequências "terríveis" para a região e outras partes do mundo.

Além dos bombardeios, hoje explodiram combates entre facções rebeldes e islâmicas e o exército sírio em distintas partes de Aleppo.

Asani detalhou que há enfrentamentos nas áreas de Al Ameriya e Al Ramusa, no sudoeste, assim como em Malah e Al Handarat, no norte, onde estão acontecendo os confrontos mais intensos.

Precisamente, os efetivos governamentais conseguiram dominar hoje o acampamento de refugiados palestinos de Handarat, após "eliminar um grande número de terroristas" e destruir suas armas e veículos, informou a agência de notícias oficial "Sana".

Este é um avanço estratégico porque as autoridades estão consolidando suas posições em áreas ao norte de Aleppo e garantem a segurança do chamado caminho de Castelo, cujo controle o regime assumiu em julho, materializando assim o cerco à zona leste de Aleppo, que é dominada pelos rebeldes.

A atual escalada da violência em Aleppo acontece depois que as forças armadas sírias deram por encerrada na segunda-feira a trégua de uma semana em todo o país.

O cessar-fogo conseguiu reduzir os níveis de violência em seus primeiros dias, mas as violações foram aumentando com a passagem do tempo.

O ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, avisou hoje que não haverá mais tréguas unilaterais na Síria, em entrevista transmitida pela emissora russa "Rossiya-1".

"Se, novamente, tudo vai se limitar a pedidos de passos unilaterais por parte das forças aéreas da Rússia e da Síria, não voltaremos a atendê-las", afirmou o responsável russo.

O regime sírio, por sua vez, utilizou seu pronunciamento na Assembleia Geral da ONU, que ficou a cargo do ministro das Relações Exteriores Walid Muallem, para afirmar que apoiaria uma solução política para o conflito e agradeceu o apoio militar que recebeu de "verdadeiros amigos", como a Rússia e o Irã.

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