Vídeos da morte de homem negro em Charlotte não esclarecem se estava armado

Washington, 24 set (EFE).- Os vídeos divulgados neste sábado pela Polícia de Charlotte (Carolina do Norte, EUA) sobre a morte do afro-americano Keith Lamont Scott por um agente na terça-feira passada não esclareceram se ele estava armado.

As duas gravações, uma filmada com a câmera do carro policial e outra com a corporal de um dos agentes que acompanhavam o policial que atirou, não serviram para convencer nem a família da vítima nem os manifestantes que a versão policial é certa: que atiraram em Scott porque estava armado e era uma ameaça.

A Polícia no entanto defende que embora "não haja provas visuais definitivas" que o homem tinha uma arma, encontraram evidências no local: a pistola e o estojo dos quais publicaram fotografias.

Além disso, assegura que encontraram as impressões digitais e o DNA de Scott na arma.

Os advogados da família de Scott disseram ao "Washington Post" que esta é a primeira prova que lhes é apresentada da arma e que a viúva da vítima não está convencida de que a pistola estivesse nas mãos de seu marido ou que este apontasse para os policiais.

"Infelizmente nos deixam com muito mais perguntas do que respostas", disse ao jornal Ray Dotch, cunhado de Scott.

A Polícia apresentou novos detalhes sobre sua versão do ocorrido: agentes à paisana estavam esperando para executar uma ordem de detenção contra outra pessoa quando Scott chegou com seu veículo perto deles e acendeu um cigarro de maconha.

Então, segundo seu relato, viram ele levantar uma pistola e imediatamente se identificar como policiais.

"Ele cometeu um crime (possuir maconha) e isso foi o que causou o encontro (com a Polícia) e então a pistola exacerbou o encontro", afirmou o chefe de Polícia de Charlotte, Kerr Putney na entrevista coletiva na qual anunciou a iminente publicação dos vídeos.

Putney afirmou que Scott, de 43 anos, "estava absolutamente em posse de uma arma", embora tenha antecipado que nos vídeos não se pode vê-lo com ela na mão.

No entanto, o chefe de Polícia defendeu que embora "não haja provas visuais definitivas" que Scott estava armado, existem outras provas da cena que sim o evidenciam: a arma com suas impressões digitais e o DNA.

A Polícia tinha explicado anteriormente que o policial que atirou, o afro-americano Brentley Vinson, não usava uma câmera pessoal instalada em seu uniforme, mas sim os outros agentes que estavam no local.

A publicação dos vídeos era uma das principais exigências dos manifestantes que saíram às ruas neste sábado pelo quinto dia consecutivo em centenas, sem que tenha acontecido por enquanto nenhum incidente.

A pressão pela divulgação dos vídeos se avivou nesta sexta-feira, após a publicação por parte da viúva da vítima de uma gravação com a câmera de seu telefone que registra o momento em que Scott recebe quatro tiros, apesar do ângulo do qual foi gravado o fato não permitir ver se a vítima estava armada.

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