Míssil que abateu MH17 foi enviado da Rússia para a Ucrânia, diz investigação

Bruxelas, 28 set (EFE).- O voo da Malaysia Airlines MH17 que caiu em 17 de julho de 2014 no leste da Ucrânia foi derrubado por um míssil do sistema antiaéreo Buk, que foi transportado da Rússia e disparado da região separatista ucraniana, informou nesta quarta-feira a procuradoria holandesa, que foi citada por vários veículos de imprensa locais.

Segundo a equipe internacional de investigação que tenta esclarecer a queda do avião, o projétil foi disparado de um campo próximo da cidade de Pervomaysk, no leste da Ucrânia, que era controlada por rebeldes pró-Rússia naquele momento.

Como consequência do ataque morreram as 298 pessoas que viajavam na aeronave, das quais 196 eram holandesas, outras 27 australianas, 44 malaias e uma neozelandesa, entre outras nacionalidades.

Segundo as pesquisas da equipe de investigação, que reúne especialistas de Holanda, Austrália, Bélgica, Malásia e Ucrânia, o sistema antiaéreo foi levado, logo depois, de volta para o território russo.

"O míssil foi disparado de um campo aberto na cidade ucraniana de Pervomaysk. Trata-se de um campo agrícola com entre 500 e 600 metros de tamanho. Não há dúvida disso", comentou em entrevista coletiva o diretor suplente de polícia da província holandesa de Brabante do Norte, Wilbert Paulissen, segundo o jornal local "AD".

Paulissen explicou que foram analisadas duas escutas telefônicas entre dois soldados russos no momento em que o avião foi derrubado, nas quais estes confirmaram que se tratou de um míssil do sistema Buk e que a plataforma para lançá-lo efetivamente tinha sido entregue.

O chefe do Ministério Público holandês, Fred Westerbeke, indicou por sua vez que por volta de 100 pessoas que podem estar envolvidas no disparo ou no transporte do sistema de mísseis foram identificadas, e acrescentou que agora "cabe a um juiz" se pronunciar.

"A pergunta seguinte que é preciso fazer é: Quem é o responsável por isto?", disse Westerbeke.

A Junta de Segurança Holandesa (OVV, sigla em holandês) concluiu no ano passado em uma investigação separada que o Boeing 777 da Malaysia Airlines tinha sido derrubado por um míssil do sistema antiaéreo Buk.

Westerbeke disse que entre 100 e 200 pessoas trabalharam na investigação todos os dias, na qual foram analisados dezenas de contêineres com destroços e foram identificadas 1.448 partes como relevantes. Além disso, o chefe do Ministério Público holandês adiantou que a equipe deve continuar com as investigações até pelo menos o início de 2018, segundo o jornal "De Volkskrant".

"Agora, só podemos falar com certeza sobre o míssil e sua rota. Precisamos de mais investigações para um julgamento" sobre os autores, indicou Westerbeke, que, por sua vez, encorajou os responsáveis a se apresentarem à Justiça para que possam ser beneficiados com uma possível redução de pena.

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