Grupo jihadista do Mali declara cessar-fogo em carta ao Conselho Islâmico

Bamaco, 31 out (EFE).- O principal grupo jihadista do Mali, Ansar Dine, que é dirigido pelo histórico líder tuaregue Iyad Ag Ghali, declarou um cessar-fogo em suas atividades em carta enviada ao presidente do Alto Conselho Islâmico (ACI), Mahmoud Dicko, a principal autoridade islâmica do país africano.

De acordo com a carta, que foi divulgada nesta segunda-feira à imprensa pelo ACI e que ainda não suscitou nenhum comentário de as autoridades oficiais, o cessar-fogo "significará a paralisação de todos os ataques armados em toda a extensão do território (do Mali) e, especialmente, no norte do país".

Dicko realiza há anos um paciente trabalho de mediação entre os diferentes grupos jihadistas para que estes renunciem à violência e deixem de atacar o exército malinês e os boinas azuis da missão da ONU no norte do Mali (Minusma).

Se for confirmado o conteúdo do texto, o Ansar Dine reconheceria a autoridade do Estado malinês, assim como aceitaria explicitamente "a integridade territorial do Mali", um detalhe importante, dada a cumplicidade mostrada até agora entre o grupo jihadista e os independentistas tuaregues.

Embora Ag Ghali não pareça colocar um limite temporário, nem condições, para a trégua, ele afirma em seu texto que rejeita "todos aqueles que renunciam à sharia (a lei islâmica)" e que "os muçulmanos devem guiar o país", algo que é contradiz a definição do Mali como um Estado laico.

De fato, o caráter inegociável da laicidade e a não-inclusão da "sharia" como fonte do direito foi a razão pela qual vários grupos salafistas ficaram de fora do Acordo de Paz e Reconciliação do Mali em maio de 2015, que, teoricamente, pôs fim ao conflito no norte do país.

A carta de Iyad Ag Ghali e sua declaração de cessar-fogo despertou grande interesse dos veículos de imprensa malineses, e enquanto alguns duvidam de sua efetividade ao incluir a menção da sharia, outros apontam para o possível enfraquecimento da organização, que é especialmente hostil contra as forças da ONU.

Além disso, esses movimentos se produzem no mesmo dia em que o outro grande grupo jihadista do Mali, Al Mourabitoun, que em seu caso também realizou ataques em países vizinhos do Mali, tenha proclamado sua adesão ao chamado Estado Islâmico (EI) e sua conseguinte ruptura com a Al Qaeda no Magrebe Islâmico, com a qual estava aliado.

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