Jackson Follman após saber da amputação: "Prefiro a vida que a perna"

Medellín (Colômbia), 3 dez (EFE).- O goleiro Jackson Follman, um dos sobreviventes da tragédia aérea do time da Chapecoense, disse: "Prefiro a vida que a perna", ao saber sobre a amputação que sofreu na extremidade inferior direita, informaram neste sábado os médicos que o atendem em um hospital de Medellín.

Em entrevista coletiva dos médicos Marco André Sonagli, ortopedista da Chapecoense; Edson Stakonski, cardiologista de Chapecó, e Ferney Rodríguez, diretor médico do Hospital San Vicente Fundación de Medellín, se conheceram detalhes sobre os quatro sobreviventes brasileiros do acidente do avião da Lamia, que na terça-feira passada causou 71 mortos.

"Jackson está consciente, está consciente da amputação da perna, como ele mesmo diz: 'prefiro a vida que a perna'. Esta manhã disse que vai 'tirar isso de letra'", contou Stakonski sobre Follman.

O especialista brasileiro disse que o goleiro recebeu tratamento psicológico, "foi tirada a entubação há mais de 24 horas, se encontra em boas condições, está consciente e conversa".

"Está muito bem psicologicamente. Clinicamente ainda tem algumas coisas a serem melhoradas, a lesão muscular é grande, tem as enzimas muito altas e é preciso ter cuidado porque isso pode comprometer a função renal", acrescentou.

Stakonski deu, além disso, um tom de tranquilidade sobre a recuperação do zagueiro Alan Ruschel, pois também foi retirada sua entubação ontem, fala com médicos e familiares, não apresenta "lesão medular e está movimentando os quatro membros".

Sobre a situação atual do jogador Neto, o último sobrevivente resgatado do local do acidente, o diretor médico Ferney Rodríguez, explicou que "continua sedado, em estado crítico e com ventilação". Além disso tem uma contusão pulmonar.

Em um diagnóstico mais profundo, o ortopedista Marco André Sonagli afirmou que Neto tem uma fratura no princípio da quinta vértebra lombar, que não tem gravidade e não precisa de cirurgia imediata.

No entanto, ressaltou que "neste momento a preocupação é pulmonar" e revelou que uma tomografia confirmou que "não há nenhum compromisso neurológico".

Sonagli lembrou que há alguns meses Neto fez uma cirurgia cervical da qual se recuperou antes do prazo previsto e viajou para a Colômbia.

"Neto fisicamente é muito forte, tem uma musculatura muito preservada, e psicologicamente é mais forte ainda, é um guerreiro", acrescentou.

Ele disse que a condição do jornalista Rafael Henzel ainda é crítica, apesar de estar evoluindo do quadro agudo.

"Ainda está com ventilação mecânica e está melhor clinicamente. Ele tem um quadro de pneumonia associada, mas está respondendo bem, não tem sinais de secreção pulmonar", explicou.

Os médicos descartaram uma transferência, por enquanto, para o Brasil dos quatro sobreviventes porque ainda estão em alguma situação crítica, principalmente na questão pulmonar: "Não vamos correr nenhum risco", disse Sonagli.

"Já estamos no limite de um milagre e não vamos correr riscos de nenhuma forma neste momento. Para pensar em uma transferência temos que ter a estabilidade clínica e aí sim vamos pensar em planejar uma transferência", acrescentou o doutor Stakonski.

Sonagli disse por sua vez: "Ainda temos um longo trabalho pela frente e não podemos nos apressar".

Sobre a possibilidade de voltar a jogar futebol, o grupo médico pediu "calma", pois nesta fase da recuperação estão ocupados em preservar a vida tanto dos desportistas como do jornalista.

"Estamos ainda na fase da vida, eles ainda correm riscos, estamos preocupados é com sua recuperação. Temos muita coisa pela frente, eles evoluíram muito nestes dias, mas é preciso levar em conta que são sobreviventes de um acidente de avião no qual morreram 71 pessoas", concluiu Sonagli.

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