Iraque planeja "reeducar" alunos e professores doutrinados pelo EI

Manuel Pérez Bella.

Erbil (Iraque), 26 fev (EFE).- As autoridades iraquianas planejam "reeducar" os estudantes e professores que foram submetidos à doutrinação da ideologia jihadista durante o domínio do grupo Estado Islâmico (EI).

Ao longo de mais de dois anos, os jihadistas obrigaram professores a ensinar sua ideologia radical nos territórios que dominaram no Iraque, onde ainda resistem no oeste da cidade de Mossul e em outras localidades menores.

Nas aulas do EI, as crianças aprendem a atirar e a detonar coletes explosivos, e até na matemática a violência é abordada. Ao invés de usar exemplos cotidianos, os problemas apresentam contas de corpos inimigos e de munição, segundo os relatos dos civis que saíram das cidades libertadas.

Esta "lavagem cerebral" afetou tanto os alunos quanto os professores, e as autoridades do país preparam um amplo plano de "reeducação", que será aplicado no ensino fundamental e no ensino médio, segundo disse à Agência Efe o diretor do sindicato de professores da província de Ninawa, Raad al Yuburi.

"O que vi em Mossul é que todos foram afetados pelas ideias do EI. Inclusive os professores precisam de acompanhamento psicológico e reeducação", denunciou Al Yuburi.

No entanto, o responsável do sindicato admite que o sistema educacional "não pode fazer nada" pelos adolescentes radicalizados que chegaram a empunhar armas e cometer crimes, os conhecidos como "filhotes do califado", que, segundo ele, devem responder na justiça e cumprir pena.

Várias ONGs, como Human Rights Watch (HRW) e Oxfam, disseram à Efe que, vendo exemplos de outros países, prender estes menores, doutrinados pela ideologia radical, pode ser contraproducente.

"Não se pode colocar um menino de 15 anos na prisão. Senão, será recrutado para um novo EI", disse à agência Efe o diretor da Oxfam no Iraque, Andrés González.

Na visão da ONG, seria preferível reinserir estes jovens no sistema educacional para que tenham "esperança" e perspectivas de conseguir um trabalho.

Para os "filhotes do califado" será difícil sair de Mossul, já que o exército rastreia todos os homens com mais 14 anos que tentam sair da cidade para identificar possíveis terroristas infiltrados entre os civis.

Por enquanto, neste controle realizado na cidade não houve notícia de que tenham sido cometidas torturas. No entanto, os militares usam listas de suspeitos, baseadas em denúncias de moradores, que permitiram a detenção arbitrária de menores, segundo disse à agência Efe por telefone a investigadora da HRW Belkis Wille.

"Os que entram nessa lista são considerados culpados. Uma vez detidos, não há mais esforços para informar seus familiares. Prenderam milhares de pessoas e as famílias não sabem. Nesta situação, são muito mais vulneráveis a outras formas de abusos", comentou Belkis.

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