ONG abre primeiro centro de apoio a mulheres jornalistas no Afeganistão

Cabul, 7 mar (EFE).- A organização Repórteres Sem Fronteiras (RSF) inaugurou nesta terça-feira o primeiro centro para a proteção de mulheres jornalistas do Afeganistão, um órgão para dar apoio físico e legal para que elas possam desenvolver seu trabalho no país em segurança.

"Esse é um centro para apoiar mulheres jornalistas, oferecerá apoio físico e legal para a proteção dos direitos e da segurança física das repórteres, que enfrentam uma piora da situação no país", indicou à Agência Efe o chefe do escritório da RSF para o Irã e o Afeganistão, Reza Moini.

O Centro para a Proteção das Mulheres Afegãs Jornalistas surgiu pela "tendência a piorar" da situação das repórteres no país desde 2013. O número de profissionais atuando no dia a dia do Afeganistão diminuiu muito pelos riscos de segurança, discriminação e outros tipos de restrições de gênero.

O órgão trabalhará com o governo local, jornalistas, veículos de imprensa e sociedade civil para "defender os direitos físicos e legais" das jornalistas, particularmente daquelas que trabalham em zonas de guerra, disse Moini.

"O primeiro trabalho do centro será determinar a situação dos jornalistas porque atualmente sequer temos um número oficial de mulheres que atuam como jornalistas no Afeganistão", revelou Moini.

Dez repórteres espalhadas por dez províncias afegãs, cinco delas em regiões de guerra, já estão trabalhando com a RSF e atuando como a primeira rede de jornalistas mulheres no país.

O secretário-geral da RSF, Christophe Deloire, disse em comunicado que as jornalistas são vítimas "duas vezes" no país. Uma devido à guerra dos talibãs e do Estado Islâmico contra o governo local, e outra pela forte pressão a que são submetidas.

A violência contra as mulheres aumentou 60% nos últimos seis anos no Afeganistão, segundo a ONU. Dados da RSF indicam que várias foram atacadas fisicamente, ameaçadas ou silenciadas em províncias como Nangarhar, no oeste do país.

Além disso, três dos dez jornalistas mortos em 2016 no Afeganistão eram mulheres. Desde 2001, 13 mulheres morreram desempenhando a profissão e outras dez tiveram que deixar o país no mesmo período.

O Afeganistão vive um aumento da violência desde o fim da missão de combate da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em 2014. Nos últimos dois anos, os talibãs avançaram e reconquistaram espaço por todo o país.

De acordo com fontes dos Estados Unidos, o governo do Afeganistão controla atualmente apenas 58% do território do país.

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