Vala comum do EI com 500 corpos é encontrada a oeste de Mossul. no Iraque

Em Mossul, no Iraque

  • Ahmad Al-Rubaye/AFP

    Bombardeios no bairro de Al-Amil, em Mossul, no Iraque, durante confrontos entre tropas iraquianas e jihadistas do Estado Islâmico

    Bombardeios no bairro de Al-Amil, em Mossul, no Iraque, durante confrontos entre tropas iraquianas e jihadistas do Estado Islâmico

Uma milícia ligadas ao governo do Iraque anunciou neste sábado (11) que foi encontrada uma vala comum aberta pelo grupo terrorista Estado Islâmico a oeste de Mossul com cerca de 500 corpos.

Os corpos pertencem a presos civis que tinham sido detidos e executados na prisão de Badush, uma comarca situada cerca de 25 quilômetros a oeste de Mossul, anunciou a Multidão Popular, a milícia liderada por xiitas que realizou a descoberta.

Os presos foram executados há mais de dois anos e meio. Eles eram, em sua maioria, muçulmanos xiitas, segundo a nota da milícia. A Multidão Popular afirmou que a segunda brigada deteve 87 combatentes do EI que consideram responsáveis do massacre cometido na prisão de Baduch. 

Na prisão, a segunda maior do Iraque, não foi encontrado nenhum detido vivo, disse à Agência Efe o comandante das operações militares da província de Ninawa, general Nayem al Jabouri. O EI tomou a prisão de Badush no dia 11 de junho de 2014, executou centenas de presos e libertou milhares deles, incluindo alguns líderes e combatentes do grupo terroristas que estavam cumprindo condenação nessas instalações.

Durante a ofensiva contra o EI, as autoridades iraquianas encontraram várias valas comuns. A última delas, com cerca de 100 corpos, foi encontrada no último dia 26 de fevereiro. Em novembro foi encontrada outra vala comum ao sul de Mossul com os corpos de 300 pessoas, em sua maioria policiais executados pelos jihadistas. Em junho, foi descoberta outra com 400 vítimas na cidade de Fallujah.

Avanço contra jihadistas

As forças especiais iraquianas avançavam na cidade, onde a resistência EI mostra sinais de enfraquecimento face aos ataques reiterados desde o início da operação para expulsá-lo de seu último grande reduto do Iraque.

Na sexta-feira, as forças de combate ao terrorismo (CTS) atacaram o bairro de Al-Amil al-Oula, onde os combates prosseguem contra os extremistas islâmicos. "O inimigo lutou ferozmente na primeira linha de defesa", disse o general Maan al-Saadi, comandante de unidade de elite, em referência aos primeiros bairros recuperados pelas forças iraquianas desde o lançamento, em 19 de fevereiro, de sua ofensiva para recuperar a zona oeste de Mossul.

Mas o EI "perdeu muitos combatentes (...) de sua capacidade de combate, e o inimigo começa a afundar", estimou Saadi. Os extremistas enviaram nesta sexta carros-bomba - técnica para retardar a progressão das forças iraquianas -, "mas não tantos quanto enviaram no início da batalha", acrescentou.

Mais de 215.000 deslocados

O EI proclamou em junho de 2014 a partir de uma mesquita em Mossul um "califado" sobre os territórios conquistados por seu grupo entre o Iraque e a Síria. Em novembro passado, chamou os jihadistas a resistir à ofensiva lançada em Mossul em 17 de outubro pelo exército iraquiano.

"Mantenham suas posições na honra é mil vezes mais fácil do que recuar a cair em vergonha", lançou.

A batalha por Mossul, cuja zona leste foi retomada pelas forças iraquianas no final de janeiro, deslocou mais de 215.000 pessoas, segundo a Organização Internacional para as Migrações.

Entre as centenas de milhares de civis ainda na zona oeste de Mossul, apenas cerca de 50.000 conseguiram fugir e se estabelecer em campos de deslocados, segundo a OIM.

Em Mossul, "éramos usados como escudos humanos" pelo EI, explicou Abdel Razak Ahmed, de 25 anos. "A vida era difícil, passávamos fome, e só comíamos pão e tahine" (pasta de gergelim), relata outro deslocados.

Combates na Síria avançam

Na vizinha Síria, os extremistas também estão em posição enfraquecida frente a três forças rivais: as tropas turcas e seus aliados rebeldes sírios; as forças do governo sírio apoiadas pela Rússia; e uma aliança entre árabes e curdos apoiada pelos Estados Unidos em torno de seu reduto de Raqa.

No leste da província de Aleppo, os ataques russos e do exército sírio continuavam nesta sexta-feira contra posições do EI, que tem perdido cada vez mais terreno, indicou o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (OSDH).

Os ataques são direcionados principalmente contra o aeroporto militar de Al-Jarrah, que o regime tenta reconquistar, segundo o Observatório, acrescentando que 26 extremistas foram mortos nos ataques aéreos nas últimas 24 horas.

Um membro do Estado-Maior russo, citado pela agência de notícias RIA-Novosti, disse que a Rússia havia realizado em uma semana 452 ataques contra o EI na província de Aleppo, matando mais de 600 extremistas.

Por sua vez, Washington planeja enviar 400 soldados americanos, que se juntarão aos 500 já presentes no norte da Síria, para apoiar as Forças Democráticas Sírias (FDS) contra Raqa.

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