Mortes de civis por ataques da coalizão dos EUA causam indignação em Mossul

Yáser Yunis.

Mossul (Iraque), 25 mar (EFE).- O descontentamento de moradores do oeste da cidade de Mossul, no norte da Iraque, aumenta a cada nova notícia de mortes de civis em bombardeios realizados pela coalizão internacional liderada pelos Estados Unidos, acusada nesta semana de ter provocado a morte de mais de 200 pessoas.

A presidente do Conselho da Comarca de Mossul, Basma Basim, disse à Agência Efe que as vítimas de um ataque da coalizão sobre o bairro de Al Yadida podem chegar a 500, mas, por enquanto, só foram retiradas dos escombros algumas dezenas de corpos.

Basim afirmou que a destruição foi causada por "aviões estúpidos" que atacaram "cidadãos inocentes" e pediu que o governo do Iraque impeça que essas aeronaves operem nos céus de Mossul.

A organização Airwars, que contabiliza os bombardeios internacionais no Iraque e na Síria, calcula entre 220 e 500 vítimas no bombardeio realizado pela coalizão no bairro, que tem uma alta densidade populacional. O diretor do grupo, Chris Woods, disse à Efe que tanto a aliança liderada pelos norte-americanos como o Exército do Iraque estão investigando os responsáveis.

"Com mais de 1.000 civis mortos em bombardeios da coalizão só neste mês, há preocupação, porque os EUA e seus aliados não estão tomando precauções suficientes para proteger os inocentes no campo de batalha", destacou o diretor da Airwars.

Além disso, Woods mostrou preocupação pelos civis que ainda estão na parte oeste de Mossul, onde a ONU calcula que permanecem cerca de 600 mil pessoas, apesar dos intensos combates entre tropas iraquianas e membros do grupo terrorista Estado Islâmico.

Moradores e ativistas de Mossul pedem ao governo do Iraque que reconsidere a permissão dada à coalizão para bombardear a região. Eles também acusam as autoridades de não chegarem a tempo para resgatar as vítimas dos ataques.

Abdullah Hussein contou à Efe que perdeu a irmã, o cunhado e sete de seus filhos, mortos pela "estupidez da coalizão e seus aviões não inteligentes". Entre as lágrimas, ele culpa o governo de abandonar as vítimas e realizar os resgates com lentidão.

Hussein afirmou que algumas das vítimas chegaram a ficar durante mais de 12 dias vivos embaixo dos escombros sem serem resgatados.

"Culpamos o governo e a coalizão internacional pela devastação e os assassinatos de inocentes", reiterou Hussein.

Hakam al Dalimi, um jovem ativista de Mossul, disse à Efe que o governo e a coalizão devem interromper os bombardeios imediatamente. Ele estava indignado porque a comunidade internacional ofereceu condolências pelo ataque terrorista de quarta-feira em Londres, mas "ninguém se solidarizou com as dezenas de pessoas que morreram em Mossul".

Um membro da Defesa Civil de Mossul, Mouwafak Mohammed, disse à Efe que o bombardeio atingiu tanto parentes das vítimas como os trabalhadores dos serviços de defesa. Uma equipe do órgão foi à região do ataque e que, com ajudas das tropas iraquianas e escavadeiras da Prefeitura de Mossul, retirou alguns dos corpos.

"Conseguimos resgatar apenas dez corpos após grande esforço devido à falta de segurança no bairro de Al Yadida", afirmou Mohammed, citando o fato de o local estar próximo à área onde atualmente está a frente de batalha na cidade.

As equipes de resgate foram alvo de um franco-atirador do EI e duas bombas explodiram perto do local do ataque da coalizão.

No total, a Defesa Civil conseguiu resgatar 136 corpos, disse o diretor do órgão, Mohammed al Yauari, à Efe na última quinta-feira. Havia crianças e mulheres entre os mortos.

A coalizão internacional está investigando se as mortes foram provocadas diretamente por um bombardeio de algum aliado ou se foi uma armadilha preparada pelos jihadistas, de acordo com o jornal "The New York Times".

O Comando das Operações de Ninawa, que comanda a batalha de Mossul, afirmou em comunicado que as tropas respeitam as normas de combate para proteger os civis. Além disso, explicou que os soldados vão de casa em casa oferecendo ajuda humanitária à população.

Mesmo assim, o número de vítimas civis aumentou consideravelmente na ofensiva ao oeste de Mossul em relação às operações que resultaram na libertação do leste da cidade. O mesmo ocorreu com o total de pessoas deslocadas pelo conflito.

O Ministério de Migrações do Iraque estimou hoje que 200 mil pessoas abandonaram suas casas no oeste de Mossul nas últimas cinco semanas.

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