Argentina intima diretores da Odebrecht por falta de progresso da promotoria

Buenos Aires, 23 mai (EFE).- O governo da Argentina, por meio de seu Escritório Anticorrupção, convocou diretores da construtora Odebrecht para que ofereçam todas as informações sobre supostos crimes de corrupção no país, já que as autoridades consideram que o Ministério Público Fiscal (MPF) não está sendo efetivo em suas investigações.

O ministro da Justiça argentino, Germán Garavano, explicou nesta terça-feira que "a Justiça, por diversas razões e, também, por alguns obstáculos da Procuradoria Geral, não pôde revelar as informações" necessárias para esclarecer os supostos casos de corrupção relacionados com a Odebrecht na Argentina.

"Há uma ordem muito precisa do presidente de colaborar com a Justiça para saber quem são as pessoas que receberam US$ 35 milhões em propina que a própria Odebrecht admitiu que pagou em nosso país", acrescentou Garavano, de acordo com um comunicado divulgado hoje pela presidência argentina.

Por isso, o Ministério da Justiça assumiu a iniciativa e, através do Escritório Anticorrupção, deu aos diretores da Odebrecht - que conta com grandes contratos de obras públicas na Argentina - a possibilidade de contribuir diretamente com todas as informações que têm, sem depender de acordos com o Ministério Público Fiscal.

"Intimo a Odebrecht a dar informações ao Escritório Anticorrupção sobre os crimes cometidos no país", adiantou na noite de segunda-feira o ministro em seu perfil do Twitter, depois que uma legisladora governista, a deputada Elisa Carrió, opinou que tanto o espectro político como o judicial e empresarial estavam se fazendo de "distraídos" com o caso.

Os detalhes solicitados vão desde os números das contas bancárias nas quais supostamente foram depositados os valores de propina e qualquer outro detalhe que possa lançar uma luz sobre possíveis atos de corrupção, disseram à Efe fontes do Ministério de Justiça da Argentina.

Em declarações à rádio "Mitre", a responsável pelo Escritório Anticorrupção da Argentina, Laura Alonso, explicou hoje que o Executivo de Mauricio Macri entende que a estratégia do Ministério Público Fiscal, dirigido pela procuradora Alejandra Gils Carbó (considerada próxima do kirchnerismo), "falhou e não teve a efetividade que esperada" nesses casos.

"O que queremos é que a companhia Odebrecht contribua com mais informações e mais detalhes. Informação geral não serve para nós. É muito provável que, a partir da identificação dessas contas e dessas propinas, possamos descobrir novos pagamentos e outras picaretagens", acrescentou Alonso.

As investigações na Argentina contra a Odebrecht se referem a supostas irregularidades e ao suposto superfaturamento na contratação de várias empresas por parte da estatal AySA, a maior companhia de serviços de distribuição de água e saneamento da Argentina, para a construção de uma central de tratamento em 2008.

São acusados neste caso vários funcionários da empresa pública - como seu ex-titular, Carlos Ben - e representantes das empreiteiras, entre as quais se encontra a Odebrecht.

O caso atinge vários integrantes do alto escalão de governos kirchneristas (2003-2015), como o ex-ministro do Planejamento Julio de Vido, mas os vínculos irregulares com a Odebrecht também colocam na mira da Justiça o atual chefe de Inteligência da Argentina, Gustavo Arribas.

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