Polícia de Papua Nova Guiné retira imigrantes de centro de detenção

Sydney (Austrália), 24 nov (EFE).- As autoridades de Papua Nova Guiné retiraram nesta sexta-feira todos os 328 imigrantes que ocupavam o centro de detenção da ilha de Manus, administrado pela Austrália até o seu fechamento, no último dia 31 de outubro.

"O governo australiano está ciente de que todos os homens que anteriormente se recusavam a deixar o antigo centro de tramitação regional da ilha de Manus saíram para alojamentos alternativos", confirmou em comunicado, o ministro da Imigração, Peter Dutton.

A polícia e funcionários de Imigração entraram no centro de Manus, que foi fechado em virtude de uma decisão do Supremo Tribunal em 2016, que declarou ilegal, no segundo dia de uma operação em que o uso da força foi relatado.

"Eles nos levaram pela força, usaram barras de metal, há várias pessoas que foram feridas gravemente. Me algemaram e me trouxeram para East Lorengau", disse Abdul Aziz, um dos imigrantes desalojados, em conversa telefônica com Agência Efe.

Aziz, de origem sudanesa, acrescentou que "agora estou sentado aguardando as autoridades, sem uma casa. Não vou esquecer este dia. Não posso acreditar em quão cruel são os governos da Austrália e Papua Nova Guiné. Eles não se importam se morremos ou sobrevivemos", disse.

Abdul Aziz é um dos 328 homens que ocupavam o centro sem água, comida, serviços básicos nem atendimento médico, e que foram transferidos para novos lugares de refúgio, onde se recusavam ir por considerá-los outra forma de prisão e onde temem ser atacados pelos moradores locais.

Ao contrário das denúncias sobre o uso da força em Manus, o ministro Dutton ressaltou que "os ativistas na Austrália estão novamente fazendo denúncias exageradas de violência e de lesões em Manus e não apresentaram nenhuma evidência para prová-las".

A Agência das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) mostrou ontem sua preocupação com as denúncias de uso da força em Manus, embora acrecentou que recebeu garantias de (a força) não ter sido utilizada.

"A Austrália tem a obrigação de assumir suas responsabilidades e fornecer proteção efetiva, segurança e soluções duradouras aos refugiados e solicitantes de asilo em cooperação com as autoridades de Papua Nova Guiné", disse Volker Turk, responsável de proteção do ACNUR.

O centro de Manus e outro em Nauru, no Pacífico sul, abriram depois que a Austrália reativou em 2012 a sua controversa política de processamento de pedidos de asilo em países terceiros.

Muitos dos internos em Manus e Nauru fugiram de conflitos como os do Afeganistão, Darfur, Paquistão, Somália e Síria; outros escaparam da discriminação como as minorias rohingya, em Mianmar, ou Bidune, na região do Golfo.

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