Com foco nas Farc e Venezuela, economia fica de lado nas eleições da Colômbia

Em Bogotá

  • Joaquin Sarmiento/AFP

    Economia será uma das principais tarefas do próximo presidente colombiano

    Economia será uma das principais tarefas do próximo presidente colombiano

Manter o rumo da economia será uma das principais tarefas do próximo presidente da Colômbia, mas o assunto foi pouco debatido ao longo da campanha eleitoral.

Com o foco dos candidatos no futuro do acordo de paz com as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) e a discussão sobre o risco de o país virar uma "segunda Venezuela" caso Gustavo Petro seja eleito, os temas econômicos ficaram em segundo plano.

Uma das maiores polêmicas foi protagonizada justamente por Pedro, candidato do Movimento Colômbia Humana e segundo colocado nas pesquisas, que defende uma mudança de modelo econômico para que o país reduza sua dependência da extração de minérios e petróleo.

Para ele, a atividade pode ser substituída pela exportação de produtos alimentícios como o abacate. Segundo o candidato, o plantio da fruta poderia gerar 2 milhões de empregos no campo e 500 mil na indústria contra apenas os 50 mil das empresas petrolíferas.

A proposta foi ironizada pelos demais candidatos, que também não concordam com as abordagens econômicas de Petro, como a elevação de impostos de latifúndios para forçar os proprietários a vender suas terras. Para eles, isso espantaria investidores estrangeiros.

O programa do ex-vice-presidente Germán Vargas Lleras, do movimento que leva seu próprio nome, promete, caso vença, reduzir impostos e gerar condições para que a economia cresça 5% ao ano e crie 1,2 milhões de empregos formais em quatro anos.

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O PIB do país avançou 1,8% no ano passado e registrou uma expansão de 2,2% no primeiro trimestre de 2018, um ritmo abaixo da capacidade real da economia, que cresceu 4,4% há quatro anos.

Para cumprir suas promessas, Vargas Lleras propõe medidas estruturais, como reduzir a carga de impostos para empresas em 30% e atrair mais investimentos, criando um "ambiente amigável".

A redução de impostos para as empresas está também na cartilha de Ivan Duque, do Centro Democrático, partido do ex-presidente Álvaro Uribe, que lidera todas as pesquisas das intenções de voto.

Entre as propostas do candidato está a isenção de impostos sobre investimentos produtivos no campo que gerem um mínimo de empregos formais. Ele também defende a redução do gasto público por considerar que Juan Manuel Santos "esbanjou" nos últimos anos.

"Assumo o desafio de recuperar a economia colombiana, fazendo-o uma reforma do Estado, enfrentando a corrupção e a evasão. Vamos apostar na micro, pequena e média empresa", disse Duque no domingo durante comício de encerramento de sua campanha em Bogotá.

Já Sergio Fajardo, ex-prefeito de Medellín e ex-governador de Antioquia, candidato pela Coalizão Colômbia, também considera viável um tratamento tributário especial para as micro, pequenas e médias empresas para incentivar a formalização dos negócios.

Além disso, ele defende uma melhoria do sistema produtivo e propõe a criação de 1,5 milhão de empregos em quatro anos.

"Nosso desafio é fazer com que a luta contra a corrupção se reverta em pelo menos um ponto percentual do PIB em cobranças tributárias, no mais tardar no terceiro ano de governo", afirmou o candidato em seu programa de governo.

Já Humberto de la Calle, do Partido Liberal, quer implementar um "plano de choque" de infraestrutura para combater o desemprego entre os jovens e promover a geração de empregos formais.

"Precisamos de um Estado mais eficaz e mais simples, que promova a formalização (do emprego) e não que a freie", avaliou.

Outro dos assuntos que o próximo presidente terá que lidar é a previdência. Como em vários países do mundo, o país sofre com um grande déficit no setor, mas todos os candidatos concordam que uma reforma deve evitar elevar a idade de aposentadoria, uma proposta altamente impopular entre a população.

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