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ONU e União Europeia vão visitar Nicarágua após dezenas serem mortos em protestos no país

Oswaldo Rivas/Reuters
Imagem: Oswaldo Rivas/Reuters

Manágua

20/06/2018 22h05

A Nicarágua convidou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), o Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos e a União Europeia (UE) para visitar o país por conta da crise que deixou pelo menos 200 mortos, informaram nesta quarta-feira (20) diversas fontes.

"Informamos que nosso escritório recebeu a carta do governo outorgando-nos acesso ao país. Nossa equipe está coordenando a logística para tal visita e logo informaremos os detalhes", indicou o Escritório do Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos na América Central em uma nota de imprensa.

Por sua vez, o secretário-executivo da CIDH, o brasileiro Paulo Abrão, anunciou pelo Twitter que uma equipe técnica do Mecanismo Especial de Acompanhamento para a Nicarágua (MESENI) chegará à capital Manágua na próxima terça-feira (26).

Abrão explicou que a tarefa dessa equipe será acompanhar a Comissão de Verificação e Cidadania formada na mesa de diálogo nacional e apoiar a sociedade civil.

Além disso, destacou que um grupo internacional de investigações para a Nicarágua, que deverá trabalhar 'in loco' para coadjuvar na investigação de todas as mortes e atos de violência e na identificação de responsáveis desde o último dia 18 de abril, será instalada na primeira semana de julho.

Abrão disse ainda que o chanceler nicaraguense Denis Moncada enviou à CIDH os comunicados com os acordos da mesa de diálogo dos últimos dias 15 e 16 de junho.

O governo nicaraguense também concedeu acesso a uma delegação da UE de defesa dos direitos humanos, como parte dos requisitos para destravar o diálogo nacional, segundo informou um membro da Aliança Cívica pela Justiça e a Democracia.

"Temos informação de que a UE já recebeu a carta de convite, de acordo com o estabelecido no diálogo nacional", escreveu em suas redes sociais o membro da Aliança e representante dos empresários nicaraguenses, José Adán Aguerri.

Na segunda-feira (18), a Conferência Episcopal, mediadora e testemunha do diálogo, suspendeu as três mesas de trabalho criadas para superar a crise devido ao fato de que o governo não apresentou cópias das cartas de convite a esses organismos internacionais para visitar o país.

No reatamento do diálogo na semana passada, após uma suspensão desde 23 de maio, o Executivo aceitou convidar de maneira "imediata" a CIDH, o Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, a UE e a Secretaria Geral da Organização dos Estados Americanos (OEA).

Os bispos esclareceram em comunicado que somente convocariam as partes novamente se o Executivo cumprisse com o estipulado em relação ao convite a organismos internacionais, razão pela qual agora está pendente uma nova convocação para retomada do diálogo.

A Nicarágua completa hoje 64 dias desde que se iniciou a crise sociopolítica mais sangrenta desde 1980, com Daniel Ortega também como presidente, e que custou a vida de pelo menos 200 pessoas.

Os protestos contra Ortega e sua esposa, a vice-presidente Rosario Murillo, começaram em 18 de abril contra fracassadas reformas da previdência e se transformaram em um movimento que pede a renúncia do presidente, depois de 11 anos no poder, em meio a acusações de abuso e corrupção.