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Arcebispo de Washington nega ter encoberto abusos de antecessor

27/08/2018 20h22

Washington, 27 ago (EFE).- O arcebispo de Washington, Donald Wuerl, negou nesta segunda-feira as acusações feitas pelo ex-núncio do Vaticano nos Estados Unidos, Carlos Maria Viganò, que o acusou de encobrir os abusos sexuais cometidos por seu antecessor, o cardeal Theodore McCarrick, punido em junho pelo papa Francisco.

"Ele nunca forneceu ao cardeal Wuerl nenhuma informação sobre o alegado documento do papa Bento XVI sobre as diretrizes de Roma em relação ao (ex-)arcebispo McCarrick", afirmou o Arcebispado de Washington em comunicado.

Wuerl também afirmou na nota que Viganò não tem provas para sustentar as acusações e explicou que ninguém tinha se apresentado ao arcebispado como uma vítima dos abusos de McCarrick.

Viganò escreveu uma carta na qual acusa outros membros da Igreja Católica de formar um "lobby gay" para encobrir as acusações contra o ex-cardeal de Washington. Além disso, ele afirma que o papa Francisco conhecia as denúncias contra McCarrick desde 2013.

Em junho, McCarrick, de 88 anos, foi afastado do colégio de cardeais. O papa o suspendeu de exercer qualquer cargo na igreja e o obrigou a viver em uma casa de "oração e penitência".

O ex-núncio ainda afirmou que Francisco o perguntou sobre McCarrick. Viganò diz ter respondido ao papa que o ex-cardeal corrompeu gerações de seminaristas e sacerdotes.

A carta de Viganò foi divulgada pouco depois de Francisco ter pedido em Dublin, durante o Encontro Mundial das Famílias, desculpas pelos abusos cometidos pelo clero na Irlanda.

O pontífice admitiu ter lido a carta do ex-núncio, mas preferiu não se pronunciar. Para o papa, o texto de Viganò "fala por si próprio".