PUBLICIDADE
Topo

Iliescu é acusado de crimes contra humanidade pela morte de 862 pessoas

21/12/2018 16h21

Bucareste, 21 dez (EFE).- A Procuradoria da Romênia acusou nesta sexta-feira o ex-presidente Ion Iliescu de crimes contra a humanidade pela morte de 862 pessoas durante a sangrenta revolta que derrubou o regime comunista de Nicolae Ceausescu em dezembro de 1989.

A acusação contra Iliescu, de 88 anos, é o último passo em uma longa investigação sobre a revolta que começou na cidade de Timisoara e chegou a Bucareste.

Iliescu - um influente líder comunista com Ceausescu - dirigiu a chamada Frente de Salvação Nacional (FSN), que tomou o poder após a fuga do ditador em 22 de dezembro, por isso é acusado de ser o principal responsável pelas mortes nesses confrontos posteriores, que também deixaram 2.150 feridos.

O acusado, antigo líder do Partido Social Democrata, foi nomeado presidente em 1990 e depois foi eleito democraticamente em dois períodos (1992-1996 e 2000-2004).

Junto com Iliescu, os procuradores também acusaram outras quatro pessoas, entre elas o ex-vice-primeiro-ministro Gelu Voican Voiculescu.

Iliescu e outros funcionários do alto escalão do governo manipularam e desinformaram a população de forma deliberada ao despertar temores sobre a existência de supostos "terroristas", com o objetivo de consolidar o seu poder.

Essa política desencadeou em sangrentos confrontos de rua, enquanto, de fato, transformou a chamada revolução em uma espécie de golpe de Estado, segundo a Procuradoria.

Vários disparos indiscriminados contra civis que não desenvolviam nenhuma atividade hostil por parte de militares e outras pessoas armadas se deve ao ambiente de paranoia criado, segundo os procuradores.

A investigação tem foco no período que vai desde o levante contra Ceasescu em Timisoara, em 16 de dezembro de 1989, até o final desse mês, quando o ditador, capturado, foi fuzilado com sua mulher, Elena, após um julgamento sumário.

"Através da instauração de uma psicose generalizada de terrorismo, teriam sido criadas várias situações de fogo fratricida, disparos caóticos e ordens militares contraditórias", indica em comunicado a Procuradoria, que também alega que os acusados contribuíram para "a condenação e a execução de Ceausescu depois de um julgamento simulado".

Até o momento, apenas 30 pessoas - nenhum alto cargo - foram condenadas pela violência contra civis, enquanto as vítimas se queixam do abandono por parte do Estado. EFE