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Poroshenko anuncia fim do estado de exceção na Ucrânia

26/12/2018 12h18

Kiev, 26 dez (EFE).- O presidente da Ucrânia, Petro Poroshenko, anunciou nesta quarta-feira o fim do estado de exceção no país, que entrou em vigor em 26 de novembro depois que guarda costeira da Rússia apreendeu três embarcações da marinha ucraniana no Mar Negro.

"Às 14h (locais) expirou o estado de exceção. É a minha decisão. Ela se baseia em todos os elementos da atual situação de segurança do Estado", disse o presidente durante durante uma reunião do Conselho de Defesa e Segurança Nacional da Ucrânia, segundo informou a agência "Unian".

Poroshenko justificou a imposição do estado de exceção em novembro por considerar que havia uma ameaça de invasão militar por parte da Rússia, que condenou a medida e negou ter planos de atacar o país vizinho.

O estado de exceção foi aplicado em dez regiões litorâneas, limítrofes com a Rússia - entre elas Donetsk e Lugansk, palco de um conflito armado desde 2014 - e com a Moldávia, e no Mar de Azov, as que eram consideradas as mais ameaçadas de uma possível agressão do país vizinho.

Em um princípio, Poroshenko propôs aplicar a medida excepcional durante 60 dias, mas teve que reduzi-la para apenas 30 dias diante das críticas dos deputados, que temiam que ele utilizasse isto como argumento para adiar as eleições presidenciais.

Por isso, hoje o presidente, que buscará a reeleição, insistiu que o pleito será realizado como estava previsto, em 31 de março.

"Eu gostaria de ressaltar que a ameaça russa segue vigente. Serei sincero: se não fossem as eleições, pediríamos à Rada Suprema (parlamento) a continuidade do estado de exceção", comentou Poroshenko.

O estado de exceção incluiu medidas como a mobilização de tropas na fronteira com a Rússia e nos portos banhados pelos mares Negro e de Azov e as restrições à entrada em território ucraniano de homens russos em idade militar.

O presidente russo, Vladimir Putin, condenou a medida ao lembrar que Kiev não chegou a declarar o estado de exceção nem mesmo depois da anexação da Crimeia e do conflito com o levante pró-Rússia no leste do país, ambos em 2014.

Poroshenko tachou de "agressão" a detenção das três embarcações ucranianas com 24 marinheiros a bordo, enquanto Putin defendeu o uso da força por parte dos guarda costeira russa contra a "provocação" ucraniana.

Por causa desse incidente naval, o presidente dos EUA, Donald Trump, cancelou o encontro previsto com Putin em 1º de dezembro durante a Cúpula do G20 em Buenos Aires. EFE