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Ator que intepreta 'El Chapo' se encontra com o traficante em tribunal

28/01/2019 19h40

Nova York, 28 jan (EFE).- O ator mexicano Alejandro Edda, que interpreta Joaquín Guzmán, conhecido como "El Chapo", na série "Narcos" da Netflix, confessou que se sentiu "intimidado" ao se encontrar cara a cara, pela primeira vez, com o homem que inspirou o personagem, na sala do tribunal de Nova York, onde está sendo julgado por narcotráfico.

"Fiquei nervoso. Assim que ele me viu, me cumprimentou de longe. É intimidador de certa forma. Olhei muito atento, sinto que está muito concentrado no que está acontecendo", disse o ator, de 34 anos, que foi contratado em 2017 para interpretar o compatriota.

Edda explicou que soube pela imprensa que o julgamento estava aberto ao público e viajou a Nova York para conhecer "El Chapo". O ator planeja passar a semana toda em Nova York para acompanhar o caso de perto.

"Vim para estudar um homem que, de certa maneira, é como um mito. Estou estudando um personagem, um ser humano. Eu me concentro em gestos, no seu olhar, nas suas feições", detalhou.

Segundo o ator, analisando a situação "pelo lado humano, é triste porque dá para sentir que há todo o poder dos EUA contra uma só pessoa, ele não fala inglês e parece que está engaiolado em um lugar alheio".

"Mas, falando como mexicano, ele deve pagar pelos seus crimes. Muita gente, milhares de pessoas morreram por causa do narcotráfico. É triste, me dói pelo meu país", declarou Edda, que disse que se apresentou a Emma Coronel, esposa de "El Chapo", que comparece diariamente ao tribunal, mas que não conversou com ela.

Essa é a primeira vez que Alejandro Edda assiste a um julgamento. O ator ressaltou que uma história sempre tem dois pontos de vista e que sempre há uma verdade.

"Considero que a verdade está de certa maneira oculta e que El Chapo é possivelmente uma marionete em tudo isto. Lá fora e aqui, possivelmente, muitos que têm a ver com este crime (narcotráfico) estão livres", afirmou.

Edda destacou que, como ator, nunca julga seus personagens: "De certa forma, criamos empatia com eles. É bonita essa conexão, mas aqui estamos falando de um criminoso. Não o julgo, é uma ficção, estamos fazendo uma série de televisão de uma pessoa que está viva, e fazer tudo com respeito". EFE