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SIP repudia detenção do jornalista brasileiro Rodrigo Lopes na Venezuela

28/01/2019 21h22

Miami, 28 jan (EFE).- A Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP) condenou nesta segunda-feira a "detenção temporária" na Venezuela do jornalista brasileiro Rodrigo Lopes, a quem qualificou como vítima de uma "prática abusiva" do governo para "intimidar e restringir a circulação de informação independente".

Lopes, enviado especial a Caracas do Grupo RBS, foi retido na sexta-feira passada e mantido incomunicável durante duas horas em uma unidade militar em frente ao Palácio Miraflores, sede do governo venezuelano.

Segundo a SIP, com sede em Miami, agentes do Centro Estratégico de Segurança e Proteção da Pátria (Cesppa) retiveram o passaporte e o telefone celular de Lopes, que depois lhe foram devolvidos.

O jornalista, que já está de volta no Brasil, foi detido quando fotografava partidários do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, nos arredores do Palácio Miraflores, segundo um comunicado desta organização.

Aparentemente, um "homem vestido de civil" tirou o telefone do jornalista e, ao revisá-lo, encontrou imagens e vídeos gravados horas antes em uma manifestação em apoio a Juan Guaidó, líder do parlamento venezuelano, que se autoproclamou presidente em exercício da Venezuela na quarta-feira passada.

A presidente da SIP, a colombiana María Elvira Domínguez, condenou a detenção de Lopes, que qualificou como "prática abusiva do governo para intimidar e restringir a circulação de informação independente e de interesse público internacional".

Por sua parte, o presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa e Informação da SIP, o mexicano Roberto Rock, advertiu que "os jornalistas nacionais e estrangeiros que informam sobre a crise na Venezuela estão expostos a sofrer detenções temporárias ou permanentes, entre outros riscos".

No último dia 13 de janeiro, as jornalistas venezuelanas Osmary Hernández, correspondente da emissora "CNN", e Beatriz Adrián, correspondente da "Caracol Notícias" da Colômbia, foram detidas temporariamente e em novembro três jornalistas brasileiros e um espanhol foram retidos durante várias horas.

Desde o ano passado, dois jornalistas estão presos na Venezuela: Jesús Medina Ezaine, do site Dolar Today, detido em setembro do ano passado, e Billy Six, documentarista independente alemão, preso desde novembro. EFE