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Em silêncio, Nova Zelândia lembra das vítimas de ataque contra mesquitas

21/03/2019 22h55

Sydney (Austrália), 22 mar (EFE).- A Nova Zelândia lembrou nesta sexta-feira (data local), com dois minutos de silêncio, as mortes de 50 pessoas no ataque contra duas mesquitas da cidade de Christchurch, na Ilha Sul, cometido há uma semana por um supremacista e considerado o pior atentado da sua história moderna.

"Na sexta-feira passada na mesquita vi o ódio e a raiva nos olhos do terrorista que matou 50 pessoas, feriu 48 e quebrou o coração de milhares no mundo todo", disse o imame Gamal Fouda, da mesquita de Al Noor, um dos palcos do massacre e onde morreram 42 pessoas.

"Hoje, no mesmo, lugar vejo o amor e a compaixão nos olhos de milhares de companheiros neozelandeses e seres humanos no mundo todo", acrescentou o imame após os dois minutos de silêncio em todo o país.

A primeira-ministra neozelandesa, Jacinda Ardern, esteve presente para honrar a memória dos mortos no parque Hagley, em frente à mesquita Al Noor, onde também estavam centenas de muçulmanos e cidadãos de outras religiões, sob grande vigilância policial.

"Esta reunião aqui com todas as cores da diversidade é um testamento da nossa humanidade unida. O amor nos redimirá", destacou o imame em discurso em inglês no qual agradeceu ao povo da Nova Zelândia por "suas lágrimas, seus hakas (dança cerimonial maori), suas flores, seu amor e sua compaixão".

Muitas mulheres presentes usavam um véu como parte da campanha de solidariedade com as muçulmanas que foram acossadas ou temem sair às ruas, especialmente depois do ataque.

Uma delas foi a agente da polícia neozelandesa Michelle Evans, que se encarregou da segurança no cemitério Memorial Park, onde serão enterradas várias vítimas, com um véu islâmico e uma flor no seu colete à prova de balas, segundo uma foto publicada pelo portal de notícias "Stuff".

A polícia neozelandesa concluiu ontem o trabalho de identificação todas as vítimas, enquanto as famílias começaram a enterrar na quarta-feira os seus mortos.

Também ontem, a primeira-ministra anunciou a proibição das armas militares semiautomáticas e rifles de assalto, assim como dos carregadores de alta capacidade e das peças que possam transformar armas em rifles militares semiautomáticos, que espera que seja aprovada em meados de abril.

A medida foi proposta depois que o suposto atirador, o australiano Brenton Tarrant, de 28 anos, adquiriu cinco armas, duas delas semiautomáticas, que, segundo as autoridades, ele modificou para ampliar seu poder de destruição.

Tarrant comparecerá no próximo dia 5 de abril diante do Tribunal Superior da Nova Zelândia para responder por uma acusação de assassinato, mas a expectativa é que sejam formuladas várias outras antes dessa data. EFE