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Índia diz que poderia mudar política nuclear conforme as "circunstâncias"

16/08/2019 09h45

Nova Délhi, 16 ago (EFE).- O ministro de Defesa indiano, Rajnath Singh, afirmou nesta sexta-feira que o país poderia mudar no futuro a política nuclear de "não-uso em primeiro lugar" de acordo com as "circunstâncias", após a escalada de tensões com o Paquistão pela retirada do status especial à Caxemira indiana.

Singh se deslocou até a área de Pokhran para homenagear, no primeiro aniversário de sua morte, o ex-primeiro-ministro indiano Atal Bihari Vajpayee, que em 1998 realizou cinco testes nucleares nessa região para demonstrar que a Índia era uma "potência nuclear".

O teste desencadeou a réplica de seu vizinho Paquistão, com outras cinco detonações nucleares no sudoeste paquistanês.

"Pokhran é a área que foi testemunha da firme decisão de Atal de transformar a Índia em uma potência nuclear e ao mesmo tempo se manter firmemente comprometido à doutrina de 'não utilização em primeiro termo'", afirmou Singh em mensagem no Twitter.

"O que acontecer no futuro dependerá das circunstâncias", acrescentou o ministro, deixando a porta aberta a uma mudança de doutrina de um país que, segundo disse depois, sempre foi uma "nação nuclear responsável".

Com os testes de 1998, a Índia e o Paquistão mostraram ao mundo seu potencial nuclear, algo que segundo muitos especialistas teve um efeito dissuasório para evitar uma guerra a grande escala entre os dois países.

Como parte desta estratégia, a Índia rejeitou assinar em 2017 o primeiro tratado global sobre a proibição das armas nucleares e afirmou que o país não deveria "estar sujeito a nenhuma das obrigações" que resultassem dele.

No tratado, que entrará em vigor uma vez que 50 países completem o processo de ratificação, os signatários se comprometem a não desenvolver, adquirir, armazenar, usar ou ameaçar com usar armas nucleares ou outros dispositivos explosivos nucleares.

As declarações de hoje do ministro de Defesa indiano acontecem em um momento de especial tensão entre Índia e Paquistão, desencadeado pela derrogação na semana passada do status especial da Caxemira indiana e do bloqueio da região.

Islamabad respondeu com o rebaixamento do nível de suas relações diplomáticas e decidiu pela expulsão do embaixador indiano em Islamabad, a suspensão do comércio bilateral, ao mesmo tempo que pediu ao Conselho de Segurança da ONU uma reunião de emergência.EFE

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