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Brasil extraditará sequestrador de Washington Olivetto ao Chile

19/08/2019 14h51

Santiago (Chile), 19 ago (EFE).- O ministro da Justiça do Chile, Hernán Larraín, confirmou nesta segunda-feira que nos próximos dias o Brasil extraditará ao Chile o ex-guerrilheiro Mauricio Hernández Norambuena, condenado no país natal pelo assassinato do senador Jaime Guzmán, crime cometido no dia 1º de abril de 1991.

Hernández cumpria uma pena de 30 anos de prisão em território brasileiro por ter sequestrado o publicitário Washington Olivetto em São Paulo, em 2001.

"Depois de vários anos de trabalho, informamos ao presidente da Suprema Corte e ao juiz instrutor do caso, Mario Carroza, que finalmente o Brasil entregará Mauricio Hernández Norambuena em conformidade com as normas vigentes", disse Larraín à imprensa.

Conhecido também como "comandante Ramiro", Norambuena fez parte do comando da Frente Patriótica Manuel Rodríguez (FPMR), que no dia 1º de abril de 1991 assassinou Jaime Guzmán, o fundador do partido União Democrata Independente (UDI) e colaborador do regime liderado pelo ditador Augusto Pinochet.

Em 1996, junto a outros membros da FPMR, Norambuena usou um helicóptero para fugir de uma prisão de segurança máxima do Chile, onde cumpria duas penas de prisão perpétua: uma pelo assassinato de Guzmán e outra pelo sequestro de Cristián Edwards, filho do proprietário do jornal "El Mercurio", Agustín Edwards.

O paradeiro de Norambuena permaneceu desconhecido até 2002, quando foi condenado a 30 anos de prisão no Brasil pelo sequestro de Washington Olivetto, que foi libertado pela polícia 53 após ter sido capturado.

O ministro da Justiça chileno ressaltou nesta segunda-feira que, quando Norambuena foi detido e condenado no Brasil, a Suprema Corte do Chile solicitou às autoridades brasileiras a autorização para a extradição do criminoso.

Larraín disse que a extradição está "em pleno processo" e que o ex-guerrilheiro deve chegar ao Chile em breve para cumprir a condenação.

A família de Norambuena denunciou no domingo que o ex-guerrilheiro foi transferido na sexta-feira passada em uma "operação silenciosa" da prisão onde cumpria pena para dependências da Polícia Federal em São Paulo.

"Nem a defesa, nem nenhum membro da nossa família foram notificados" da mudança, disse a família, ao opinar que trata-se de uma medida "ilegal e arbitrária após 17 anos de um encarceramento desumano e degradante, em condições de isolamento permanente".

A Frente Patriótica Manuel Rodríguez, que atentou sem sucesso contra Pinochet em 1986, se dividiu após a volta da democracia e uma facção denominada autônoma, que persistiu na violência como ferramenta política, assassinou a tiros Jaime Guzmán quando saía de uma aula na universidade. EFE

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