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Guerra de Duterte contra as drogas é apoiada por 82% dos filipinos

23/09/2019 07h15

Manila, 23 set (EFE).- Cerca de 82% dos filipinos se sentem satisfeitos com a polêmica guerra contra as drogas liderada pelo presidente Rodrigo Duterte, iniciativa que já deixou mais de 27 mil mortos nos últimos três anos nas Filipinas.

As principais razões para a satisfação é a diminuição do número de traficantes e do crime, segundo uma pesquisa com 1.200 pessoas feita pela empresa de consultoria Social Weather Stations, com base no segundo trimestre do ano, divulgada no domingo passado.

Entre os entrevistados, 12% se mostraram insatisfeitos e 6% indecisos na pesquisa, que desde setembro de 2016 manteve índices de satisfação de 75% a 85% em relação à guerra contra as drogas.

Em julho deste ano, o Conselho de Direitos Humanos da ONU aprovou uma resolução para investigar as supostas execuções extrajudiciais em batidas antidrogas e encarregou a alta comissária Michelle Bachelet a preparar um relatório a respeito que deverá ser apresentado no ano que vem.

O governo filipino classificou a resolução como "falta de respeito" e "politicamente motivada", chamando de "falsos amigos" os países que votaram a favor, entre eles Espanha, Itália, Reino Unido, Argentina, México, Peru, Uruguai e Islândia, país do qual partiu a iniciativa.

A polícia das Filipinas só reconheceu 6.700 mortes em batidas e nenhuma execução extrajudicial. Duterte, conhecido pela linha dura contra a criminalidade e o narcotráfico, iniciou a campanha contra as drogas pouco depois de ganhar as eleições, em maio de 2016, com a promessa de acabar com o tráfico de entorpecentes.

"Vai ser uma briga suja, uma briga sangrenta. Não vou pedir perdão por isso", disse na época o presidente, que costuma criar polêmica com declarações controversas.

Duterte já respondeu com insultos os que questionaram a sua guerra contra as drogas, entre eles o ex-presidente dos Estados Unidos Barack Obama, a Igreja Católica e a União Europeia.

ONGs filipinas denunciaram abusos cometidos pelos policiais contra inocentes nas batidas, enquanto a Human Rights Watch afirma que uma centena de menores de idade morreram no fogo cruzado da guerra contra as drogas e milhares ficaram órfãos, sendo obrigados a viver na rua e a abandonar a escola.

No entanto, as autoridades filipinas garantem que a campanha permitiu que mais de 400 mil dependentes químicos busquem reabilitação e proporcionou a detenção de 193 mil pessoas envolvidas com consumo e narcotráfico. O governo também nega o número de 27 mil mortos utilizado pela ONU e organizações não governamentais.

Em uma das últimas iniciativas a respeito deste assunto, Duterte solicitou ao Congresso, em julho, a reinstauração da pena de morte para os crimes relacionados a drogas e corrupção. EFE