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Turquia ameaça dizimar economia turca se ofensiva contra curdos for desumana

09/10/2019 20h18

Washington, 9 out (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou nesta quarta-feira impor mais do que sanções contra a Turquia se a ofensiva militar iniciada pelo governo do país sobre o nordeste da Síria for "desumana" com os curdos que ocupam a região.

"Disse ao presidente (Recep Tayyip) Erdogan que aplicarei muito mais que sanções. Concordo com as sanções, mas farei algo muito mais duro se (a Turquia) atuar de forma desumana com os curdos", disse Trump no Salão Oval da Casa Branca.

Questionado sobre o que fará caso a ofensiva turca exterminar os curdos no norte da Síria, Trump respondeu que "dizimaria" a economia da Turquia, repetindo um termo já usado em um recente tweet que incluiu ameaças ao governo de Erdogan.

"Veremos como será. (Erdogan) pode fazer (a ofensiva) de forma suave, pode fazê-la de forma muito dura, mas se for de forma injusta, pagará um preço econômico muito grande", alertou o presidente americano.

O senador republicano Lindsay Graham, um dos principais aliados de Trump no Legislativo, tornou-se um dos principais críticos da decisão da Casa Branca de abrir caminho para ofensiva da Turquia sobre a região dominada pelos curdos, parceiros do governo americano no combate ao Estado Islâmico.

Graham anunciou hoje que apresentará um pacote de sanções que afetará qualquer ativo que lideranças turcas, incluindo Erdogan, tenham sob jurisdição americana. O senador também quer suspender o envio de ajuda militar e proibir venda de armas e equipamentos à Turquia.

Criticado também pelos democratas, Trump rebateu as avaliações do Congresso e disse ter apoio popular. "Acho que estamos fazendo o certo e acredito que o país, além do pequeno círculo de Washington, também acha", disse.

Trump disse que gosta dos curdos, mas argumentou que não tem obrigação de protegê-los porque eles não foram um aliado dos Estados Unidos contra a Alemanha nazista.

"Não nos ajudaram na Segunda Guerra Mundial. Não nos ajudaram na Normandia", justificou.

O presidente americano também destacou que a Turquia está há "séculos" lutando contra os curdos e que os Estados Unidos já estão tempo demais envolvidos na batalha.

Questionado se a ofensiva pode dar aos integrantes do Estado Islâmico presos na região uma oportunidade de escapar, Trump respondeu: "Eles fugiriam para a Europa. É para lá que eles querem ir".

A Turquia anunciou hoje o início da operação militar no norte da Síria contra as milícias curdas, consideradas pelo governo de Erdogan como "terroristas" pelos vínculos do grupo com o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK).

Erdogan quer controlar uma faixa de território na fronteira com a Síria, área atualmente sob o domínio da Unidade de Proteção do Povo Curdo (YPG), e levar para a região os 3,5 milhões de refugiados sírios que passaram a viver na Turquia após fugirem da guerra. EFE

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