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Presidente autoproclamada da Bolívia admite pressão por protestos em El Alto

El Alto é reduto de manifestantes favoráveis a Evo Morales; protestos na cidade prejudicam abastecimento em La Paz - Aizar Raldes/AFP
El Alto é reduto de manifestantes favoráveis a Evo Morales; protestos na cidade prejudicam abastecimento em La Paz Imagem: Aizar Raldes/AFP

Da EFE, em La Paz (Bolívia)

22/11/2019 13h21

A presidente autoproclamada da Bolívia, Jeanine Áñez, admitiu que os primeiros dez dias na função estão sendo muito difíceis, especialmente, por causa dos protestos na cidade de El Alto, reduto do antecessor, Evo Morales, que vêm prejudicando o abastecimento de combustível de La Paz.

"Peço-lhes, por favor, que reflitam, permitam que chegue o combustível. A necessidade é generalizada", pediu a chefe de governo, aos grupos que tomaram uma refinaria na segunda maior cidade do país.

Áñez lembrou que o desabastecimento, que ocorre a vários dias, vem provocando grandes filas nos postos, o que só acontece por causa do ato, que não permite a chegada do produto, já que as reservas do país estão em níveis normais.

"Não é possível castigar a cidade de La Paz com um cerco que, de qualquer ponto de vista, é desnecessário", lamentou.

Na última terça-feira, em uma operação do Exército e da Polícia em uma refinaria de El Alto, oito civis morreram por causa de disparos de armas de fogo. A presidente autoproclamada nega que os tiros tenham sido dados pelas forças de segurança do governo.

No país, também estão acontecendo bloqueios nas rodovias de acesso à La Paz, que estão dificultando a chegada de carnes bovina e de frango, ovos e vegetais. Com isso, os produtos estão sofrendo alta de preço na capital.

A expectativa para a solução da crise na Bolívia vem de acordos que podem ser feitos no Legislativo para a convocação de eleições, entre o partido de Áñez, a Unidad Demócrata, e o de Morales, Movimiento al Socialismo (MAS), que tem maioria de parlamentares.

"Isso é urgente", admitiu a presidente, sobre a realização de um pleito.

A chefe de governo, no entanto, garantiu que existem "alternativas", caso não haja acordo com o partido que agora é oposição. Áñez afirmou ser possível, inclusive, convocar eleições por decreto, como aconteceu em 2005, quando Morales foi eleito pela primeira vez.

A Bolívia está em crise desde as eleições realizadas no dia 20 de outubro, quando surgiram denúncias de fraude a favor do então presidente, que buscava o quarto mandato, durante a apuração. No último dia 10, a Organização dos Estados Americanos (OEA) anunciou ter identificado irregularidades no pleito.

Morales admitiu realizar novas eleições, mas pressionado pelas Forças Armadas, acabou renunciando e embarcando para o México, onde recebeu asilo político.

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redetv

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