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1 mês

Espanha usará vacina da AstraZeneca em pessoas de 60 a 65 anos

07/04/2021 22h36

Alida Juliani.

Madri, 7 abr (EFE).- A Espanha vai paralisar a vacinação com o imunizante da farmacêutica AstraZeneca em pessoas menores de 60 anos, e continuará a administrá-la entre aquelas de 60 a 65 anos.

A decisão foi tomada nesta quarta-feira pelo Ministério da Saúde e os governos das comunidades autônomas do país após um dia de indecisões sobre como proceder com esta vacina, devido a sua possível ligação com a formação de coágulos sanguíneos.

Em reunião realizada hoje entre o ministério e as autoridades regionais, foi decido também deixar com a Comissão de Saúde Pública, ligada à pasta, a decisão de ampliar a vacinação com este imunizante em pessoas de 65 a 70 anos.

Este encontro foi realizado após a reunião de emergência dos ministros da Saúde dos países da União Europeia (UE), na qual eles solicitaram mais estudos sobre o impacto da vacina, e na qual a Comissão Europeia pediu aos membros que procurassem uma posição "mais coordenada" sobre a questão.

Na Espanha, todas as comunidades autônomas foram a favor da proposta do Ministério da Saúde, exceto a de Madri, que votou contra por querer a idade mínima de 65 anos para a vacinação com o imunizante da AstraZeneca, conforme revelaram fontes que estiveram na reunião à Agência Efe.

Na Espanha, a vacina da AstraZeneca foi administrada até agora em pessoas com menos de 65 anos e profissionais de áreas essenciais, como bombeiros, policiais e professores, embora nesta semana o porta-voz do governo para assuntos ligados à pandemia, o epidemiologista Fernando Simon, tivesse deixado a porta aberta para suprimir o limite de 65 anos.

Além disso, hoje, a região de Castilla y Leon suspendeu unilateralmente a vacinação com o imunizante, até os resultados do estudo realizado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).

Por fim, o comitê de especialistas da OMS considerou "possível, mas não confirmada" a ligação entre a vacina da AstraZeneca e o desenvolvimento de tromboembolismo em um pequeno número de pacientes que receberam as doses.

Também nesta quarta, a Agência Europeia de Medicamentos (EMA) confirmou uma "possível ligação" entre a vacina da AstraZeneca e os casos incomuns de coagulação do sangue detectados em algumas pessoas.

De acordo com as conclusões do comitê de segurança da EMA (Prac), a "incomum" combinação de coágulos sanguíneos e plaquetas baixas "deve ser incluída como efeitos colaterais muito raro" da vacina, com base em "todas as provas atualmente disponíveis", incluindo o conselho de um grupo especial de especialistas.

Devido a essa natureza incomum, a EMA frisou que os benefícios da vacinação com este imunizante superam em muito os riscos de efeitos colaterais.

NOVO RECORDE DIÁRIO DE VACINAÇÃO.

Apesar da controvérsia sobre a vacina da AstraZeneca, a campanha de vacinação na Espanha registrou hoje um novo recorde diário, com 336.846 doses aplicadas. A meta do governo é imunizar 70% da população até o final do verão (em setembro no hemisfério norte). Cerca de 6,4 milhões de pessoas já receberam ao menos uma dose de vacina, o que equivale a 13,5% da população do país.

Segundo dados do Ministério da Saúde espanhol, o número de hoje ultrapassa em 30.000 a marca registrada na quarta-feira da semana passada.

No entanto, o ritmo das pessoas que receberam a segunda dose para completar o cronograma de vacinação é baixo, com 39.540 nas últimas 24 horas, longe dos mais de 100.000 registrados durante alguns dias da campanha.

Há pouco mais de 2,9 milhões de pessoas (6,2% da população) que receberam as duas doses das vacinas de Pfizer-BioNTech e Moderna, já que a segunda com o imunizante da AstraZeneca começará a ser aplicada daqui a 15 dias, quando o cronograma de 10 a 12 semanas recomendado pela empresa farmacêutica for cumprido.

INCIDÊNCIA DE CASOS CRESCE.

Os números de infecções pelo novo coronavírus na Espanha voltaram a preocupar nesta quarta-feira, com o relato de 8.788 contágios, o que elevou a incidência de casos por 100 mil habitantes em 14 dias para 167,9, 3,2 a mais do que o dado divulgado ontem.

Além disso, a pressão sobre as unidades de terapia intensiva (UTI) subiu um décimo percentual em 24 horas, para 20%, segundo o Ministério da Saúde.

Os novos dados mostram que a transmissão do coronavírus continua crescendo mais do que a média nas cinco regiões consideradas de extremo risco, incluindo a da capital, Madri, com incidência de mais de 250 casos por 100 mil habitantes.

Nos últimos sete dias na Espanha, de acordo com o Ministério da Saúde, foram registradas 240 mortes, das quais 126 foram relatadas nas últimas 24 horas. Desde o início da pandemia, o total de óbitos no país é de 76.037, além de 3.326.736 contágios.