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Justiça concede liberdade a jovem mantido preso mesmo inocentado por vítima

Por Paloma Vasconcelos

19/11/2019 15h39Atualizada em 19/11/2019 16h22

Resumo da notícia

  • Jovem ficou 40 dias preso mesmo após vítima declarar que ele era inocente
  • Dono de carro roubado esteve em delegacia para notificar engano
  • Justiça de São Paulo determinou liberdade de Heverton após reportagem

Familiares de Heverton Enrique Siqueira, 20 anos, receberam com emoção e muitos abraços a saída dele do CDP (Centro de Detenção Provisória) de Mauá, na Grande São Paulo, hoje por volta das 10h. Heverton ficou 40 dias preso por um crime que não cometeu.

A Justiça de SP determinou a liberdade do jovem negro após a Ponte Jornalismo denunciar alguns erros no caso.

O principal deles é que o reconhecimento foi feito de maneira irregular, já que Heverton só foi reconhecido quando foi obrigado a colocar um capuz.

O reconhecimento foi invalidado pela própria vítima: no dia 22 de outubro divulgamos uma carta escrita de próprio punho pela vítima afirmando que Heverton não era o responsável pelo roubo de um carro em Sapopemba, na zona leste de São Paulo (veja imagem abaixo).

Ele tomou essa decisão depois que tentou ir depor no 69º DP (Teotônio Vilela) para modificar o reconhecimento feito anteriormente e recebeu uma recusa.

Alegria é o único sentimento que Heverton tem agora. Ele relatou à Ponte que a sensação de liberdade é inexplicável.

Quando te privam de liberdade por algo que você não fez é muito ruim. Até cair a ficha que você tá naquele lugar demora, porque você fica sem entender o que aconteceu. Eu não pensava muito nas coisas do mundo, só pensava em estar perto da minha família, reconciliar com as pessoas que eu tive intriga da minha família e estar próximo de todos.

Heverton foi detido no dia 10 de outubro enquanto fumava um cigarro em uma praça perto de sua casa. No dia seguinte, a vítima, que é motorista de aplicativo, percebeu que havia se enganado no reconhecimento e tentou reverter a injustiça, mas não conseguiu ser ouvido. Decidiu então escrever a carta e registrar em cartório.

Carta escrita por vítima de roubo inocentando o jovem Heverton do crime - Divulgação/Ponte Jornalismo - Divulgação/Ponte Jornalismo
Carta escrita por vítima de roubo inocentando o jovem Heverton do crime
Imagem: Divulgação/Ponte Jornalismo
Além do engano reconhecido pela própria vítima, reportagem da Ponte apontou outros elementos que afastavam Heverton da cena do crime: o fato de que no horário do crime ele estava conversando com a namorada através de um aplicativo de mensagens e a distância de quase 2 km que separava Heverton do local do roubo.

Conforme apontado no alvará de soltura, o jovem não foi inocentado das acusações, mas conseguiu o benefício de responder em liberdade considerando que tem residência fixa e registro de trabalho.

Na decisão, a juíza Teresa de Almeida Ribeiro Magalhães determina algumas medidas cautelares: Heverton não pode se ausentar da cidade sem aviso prévio durante a tramitação do processo, não pode frequentar bares, não pode se aproximar da casa da vítima e não pode ficar na rua no período noturno, salvo se estiver trabalhando.

A primeira audiência do caso está marcada para dia 10 de março do ano que vem, quando a vítima, além de Heverton e os PMs envolvidos na prisão serão ouvidos.

Heverton Enrique Siqueira, de 20 anos - Paloma Vasconcelos/Ponte Jornalismo - Paloma Vasconcelos/Ponte Jornalismo
Heverton Enrique Siqueira, de 20 anos
Imagem: Paloma Vasconcelos/Ponte Jornalismo

Veja esta reportagem original no site da Ponte.