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Henry Sobel morre aos 75: quem foi o rabino que enfrentou a ditadura

Wanderley Preite Sobrinho

Do UOL, em São Paulo

22/11/2019 11h10

Resumo da notícia

  • O rabino Henry Sobel morreu hoje em Miami aos 75 anos
  • Nascido em Lisboa e criado nos EUA, morou mais de 40 anos no Brasil
  • Ele ficou conhecido na década de 1970 por enfrentar a ditadura militar
  • Ele se recusou a enterrar Vladmir Herzog como suicida

O rabino Henry Isaac Sobel morreu hoje em Miami (EUA), aos 75 anos, depois de enfrentar um câncer de pulmão. Sobel nasceu em Lisboa e se criou nos Estados Unidos, mas se estabeleceu no Brasil na década de 1970, quando ficou conhecido por enfrentar a ditadura militar.

Viveu mais de 40 anos no Brasil. Formado rabino em 1970 em Nova York, recebeu um convite para integrar a CIP (Congregação israelita Paulista), entidade que presidiu até outubro de 2007.

Sobel ficou conhecido ao rejeitar a versão oficial e se negar a enterrar o jornalista Vladimir Herzog na ala reservada aos suicidas no cemitério israelita. Ele autorizou que o ex-diretor da TV Cultura fosse sepultado no Cemitério Israelita do Butantã, com direito a todos os ritos judaicos.

De fato, Herzog morreu após sofrer tortura no DOI-Codi, braço da repressão militar. O próprio Sobel ajudou a esclarecer as condições da morte do jornalista.

Sua defesa dos direitos humanos o aproximou da ala progressista da Igreja Católica. Ao lado de dom Paulo Evaristo Arns, ajudou a reunir farta documentação sobre a ditadura militar. O trabalho, que também contou com os esforços do pastor presbiteriano Jaime Wright, virou livro: "Brasil: Nunca Mais" foi lançado em 1985 com a exposição da tortura e torturadores.

Furto

Henry Sobel lançou uma autobiografia em março de 2008 com um prefácio do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em "Um Homem, um Rabino", Sobel recorda sua vida, incluindo o furto de gravatas que o colocou sob os holofotes em março de 2007.

Henry Sobel - Divulgação
Henry Sobel
Imagem: Divulgação
Na ocasião, foi detido em Palm Beach, nos Estados Unidos, depois que câmeras de segurança o flagraram furtando quatro gravatas em uma loja da Louis Vuitton. Depois de uma noite na cadeia, foi liberado sob fiança.

Quando voltou ao Brasil, foi internado no hospital Albert Einstein. Antes da alta, pediu desculpas "a todos pelo transtorno" ao admitir o furto. Ele revelou o uso de remédios psiquiátricos e pediu afastamento da CIP. Em 2013, ele admitiu que "uma falha moral" o levou a furtar as gravatas.

"É bom perdoar, é bom perdoar a si mesmo [...]. Não estou feliz com o incidente, mas aconteceu. Peço perdão a todos", disse.

Com o passar dos anos, se desligou definitivamente da entidade e, em 2013, se mudou para os Estados Unidos. Desde então, ele morava em Miami, onde tinha um apartamento. Divorciado, Sobel deixa uma filha, Alisha Sobel, nascida em 1983 em São Paulo.

Enterro

O sepultamento do rabino será no próximo domingo (24) no Woodbridge Memorial Gardens, em Nova Jersey.

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