Tom negativo de campanha à Casa Branca desestimula eleitores jovens dos EUA

Por Scott Malone

BOSTON (Reuters) - O tom excepcionalmente negativo da campanha deste ano à Presidência dos Estados Unidos está desanimando os jovens norte-americanos e os afastando do processo democrático, no momento em que a geração do milênio se tornou um bloco de eleitores possivelmente tão grande quanto o de filhos do pós-guerra.

Pesquisas Reuters/Ipsos mostram que os norte-americanos de 18 a 34 anos de idade estão menos inclinados a votar para presidente neste ano do que seus colegas comparativamente "coroas" estavam em 2012. Alguns cientistas políticos temem que esta eleição possa abalar toda uma geração de eleitores, fazendo com que seja menos provável que votem no futuro.

Jovens norte-americanos da direita e da esquerda vêm encontrando razões de insatisfação com suas escolhas neste ano.

O senador Bernie Sanders reuniu um séquito entusiasmado de pessoas mais jovens antes de perder as primárias democratas para a ex-secretária de Estado Hillary Clinton. Do lado republicano, alguns não estão dispostos a votar em Donald Trump, citando a retórica às vezes grosseira do empresário de Nova York a respeito de mulheres, minorias e imigrantes.

No início do ano, Brandon Epstein, que fez 18 anos nesta segunda-feira, estava ansioso para dar seu primeiro voto para Sanders. Agora, o morador do condado de Suffolk, no subúrbio de Nova York, não pretende mais ir à urna no dia 8 de novembro.

"É por causa da seleção dos candidatos. Eu os acho não só abaixo da média, mas anormalmente abaixo da média", disse Epstein, aluno do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, em Cambridge, Massachusetts. "Alguma coisa saiu terrivelmente errada".

Esse sentimento é amplamente refletido em dados de pesquisas que mostram que os jovens norte-americanos estão menos entusiasmados com suas escolhas para novembro do que estavam quatro anos atrás, quando o presidente democrata Barack Obama enfrentou um desafio para se reeleger diante do republicano Mitt Romney.

Cerca de 52,2 por cento dos entrevistados de 18 a 34 anos disseram à Reuters/Ipsos que têm certeza ou quase certeza de que irão votar – em 2012 56,1 por cento relataram esse nível de certeza.

O levantamento nacional foi realizado online e em inglês em todos os 50 Estados do país. A pesquisa entrevistou 3.088 pessoas entre 18 e 34 anos entre os dias 1 a 17 de outubro, e 2.141 pessoas da mesma faixa etária que responderam à sondagem nos mesmos dias de 2012, e tem uma margem de erro de 2 pontos percentuais para os dois grupos.

"Esta geração (do milênio) nunca confiou no governo, Wall Street ou a mídia ainda menos", disse John Della Volpe, diretor de pesquisa do Instituto de Política da Universidade Harvard.

"Isso provavelmente irá resultar em um comparecimento de menos de 50 por cento, e entre aqueles que comparecerem ainda há um cinismo profundo quanto ao impacto de seu voto, se irá fazer diferença ou não".

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