Guterres defende reforma para ONU recuperar capacidade de solucionar conflitos

Por Lisandra Paraguassu e Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) - O secretário-geral eleito da Organização das Nações Unidas, António Guterres, defendeu nesta segunda-feira uma reforma na ONU e em seu Conselho de Segurança, e afirmou que a comunidade internacional perdeu a capacidade de solucionar conflitos.

Questionado se, frente a essa dificuldade de lidar com conflitos, o Conselho de Segurança das Nações Unidas deveria passar por uma reforma, como é cobrado por países como o Brasil há mais de uma década, Guterres confirmou que a ONU precisa passar por várias reformas, inclusive do Conselho.

"As Nações Unidas precisam em muitos aspectos de reformas no sentido de se tornar mais eficaz e uma orientação que seja mais ligada aos tempos de hoje e não ao tempo de sua formação. E, como disse Kofi Annan, não haverá uma reforma das Nações Unidas completa enquanto o Conselho de Segurança não se reformar", disse o secretário-geral eleito.

"É evidente que essa é uma responsabilidade essencial dos Estados-membros, mas o papel do secretário-geral deve ser o de procurar facilitar o diálogo para que seja possível avançar em um domínio que tem se verificado tão difícil nos últimos tempos."

O Brasil é um dos países que pressiona pela reforma do Conselho, com a ampliação do número de membros permanentes e propondo sua candidatura como um dos futuros países a ocuparem esses postos, associado com Japão, Alemanha e Índia. A reforma, no entanto, nunca avançou, com os atuais membros permanentes --Estados Unidos, França, Grã Bretanha, China e Rússia-- bloqueando o avanço por razões diversas.

Ao participar, em Brasília, da abertura da Cúpula da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), Guterres disse aos chefes de Estado presentes que as "apreciações das grandes potências e de grupos importantes de países uns em relações aos outros são profundamente disfuncionais".

"Há que se reconhecer que nesse quadro a comunidade internacional perdeu grande parte de sua capacidades em matéria de prevenção e resolução de conflitos", afirmou o secretário-geral eleito.

"Uma das razões para isso tem a ver com o fato das relações de poder serem cada vez menos claras e portanto ser cada vez mais difícil se criar uma ordem internacional organizada."

Para o futuro secretário-geral, há uma "dificuldade crescente" dos principais atores internacionais em se compreenderem mutuamente. "As apreciações são por vezes distintas do que são as prioridades."

Guterres, que era diretor-geral do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados até o final de 2015, foi eleito pelo Assembleia-Geral este mês, por aclamação, depois da indicação por unanimidade do Conselho de Segurança.

Apontado como uma "escolha excelente" e como um "solucionador de problemas" pelos embaixadores na ONU, Guterres é visto como uma possibilidade de a ONU retornar ao centro da solução de conflitos, espaço que perdeu na última década.

(Reportagem de Lisandra Paraguassu e Maria Carolina Marcello)

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