Estado Islâmico ainda causa sofrimento a iraquianos em áreas retomadas de Mosul

Por Isabel Coles

ERBIL, Iraque (Reuters) - Um médico retirava curativos empapados em sangue do braço de um menino no pronto-socorro de um hospital no norte do Iraque, revelando a plena extensão dos estragos infligidos por um ataque de morteiro do Estado Islâmico.

"Tem alguma coisa errada com a minha mão?", perguntou o menino ao pai, que se reclinava sobre a maca e cobria os olhos do filho para que ele não visse a ferida.

"Não é nada, é só um machucadinho", respondeu o pai, Abu Nidal, enquanto o médico inspecionava os restos destroçados da mão do garoto, mutilada de forma irrecuperável.

Ao redor deles havia dezenas de outros civis que foram feridos em áreas de Mosul desde que estas foram retomadas do Estado Islâmico por forças iraquianas empenhadas em expulsar os militantes de seu maior bastião urbano no Iraque.

Os civis dizem não serem vítimas acidentais pegas no fogo cruzado e que o Estado Islâmico os têm visado.

"Em qualquer área liberada pelo Exército, o Daesh (Estado Islâmico) nos considera apóstatas, então é permissível nos matar", disse o pai do menino, que pediu para não ser identificado.

Seu filho havia insistido em acompanhá-lo para comprar farinha em um mercado no bairro de Zahra quando um morteiro os atingiu, quase três semanas depois de forças iraquianas terem entrado no bairro.

No momento em que estas forças abrem caminho nos bairros do leste de Mosul, tomando cuidado para evitar ferir civis, os disparos de morteiros e de franco-atiradores do Estado Islâmico estão vitimando as pessoas que foram governadas pelo grupo com mão de ferro durante mais de dois anos.

Com mais de 100 mil homens apoiados por uma coalizão internacional arregimentada para combater cerca de 5 a 6 mil insurgentes dentro da cidade, há pouca dúvida de que as forças do Iraque irão acabar prevalecendo –a questão é a que custo.

Uma média de 100 vítimas estão chegando a cada dia ao hospital de Erbil, a capital regional curda, para onde são encaminhadas as pessoas com ferimentos muito graves para serem tratados nas clínicas de campo das cercanias de Mosul, disse um administrador do hospital.

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