Premiê do Canadá defende comentários afetuosos sobre Fidel após repercussão negativa

TORONTO (Reuters) - O primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, criticado por lembrar afetuosamente de Fidel Castro sem mencionar seu histórico quanto aos direitos humanos, defendeu seus comentários neste domingo, mas disse que o falecido líder cubano foi um ditador.

Trudeau provocou fúria e recebeu críticas na Internet depois de se referir a Fidel Castro como um "líder notável", e expressou sua tristeza pela morte, na sexta-feira, do "presidente mais antigo de Cuba".

Muitos se apressaram em apontar a supressão da dissidência por Fidel e que não havia outra opção de liderança no país sob seu regime. Neste domingo, Trudeau disse que a declaração significou simplesmente o "reconhecimento da morte de um ex-chefe de Estado" de um país com o qual o Canadá mantém laços de longa data.

"O fato é que Fidel Castro teve um impacto profundo e duradouro sobre o povo cubano", disse Trudeau a repórteres em Madagascar, durante uma coletiva de imprensa televisionada na Cúpula da Francofonia.

"Certamente, ele era uma figura polarizadora e havia preocupações significativas em torno dos direitos humanos, isso é algo para o qual estou aberto e que destaquei", acrescentei.

Questionado se acreditava que Fidel Castro era um ditador, Trudeau disse que "sim".

O comunicado inicial de Trudeau, considerado mais positivo do que a maioria dos líderes ocidentais, repercutiu no sábado, especialmente entre alguns republicanos norte-americanos e exilados cubanos nos Estados Unidos.

(Por Amran Abocar)

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