Assad e aliados querem tomar toda Aleppo antes da posse de Trump, diz autoridade síria

Por Laila Bassam e Ellen Francis

BEIRUTE (Reuters) - A Síria e seus aliados pretendem expulsar os rebeldes de Aleppo antes de Donald Trump assumir como presidente dos Estados Unidos, disse uma autoridade de alto escalão da aliança militar pró-Damasco no momento em que forças pró-governo obtiveram suas maiores vitórias na cidade em anos.

Os rebeldes enfrentam um dos momentos mais graves da guerra, já que as forças pró-governo afugentaram combatentes de mais de um terço do território que controlam na cidade nos últimos dias. Milhares de civis fugiram em busca de segurança.

O funcionário pró-governo, que não quis ser identificado para poder falar livremente, indicou mesmo assim que a próxima fase da campanha pode ser mais difícil porque o Exército e seus aliados estão tentando capturar áreas mais densamente povoadas.

Os combatentes rebeldes lutaram bravamente pare impedir que as forças governamentais penetrassem ainda mais no enclave dominado pela oposição nesta terça-feira, confrontando milícias simpáticas ao presidente sírio, Bashar Al-Assad, que tentavam tomar a área a partir do sudeste, disse uma autoridade insurgente.

O ataque ao leste de Aleppo ameaça aniquilar o centro urbano mais importante na luta contra Assad, que se mantém firme na ofensiva há mais de um ano graças ao apoio militar russo e iraniano.

Capturar o leste rebelado de Aleppo seria a maior vitória de Assad até o momento no conflito, que já matou centenas de milhares de pessoas desde que emergiu em resultado dos protestos contra seu governo quase seis anos atrás.

Enquanto Rússia e Irã vêm se mantendo resolutamente ao lado de Assad, os rebeldes dizem que seus apoiadores estrangeiros, incluindo os EUA, os deixaram entregues à própria sorte em seu enclave sitiado no leste de Aleppo, maior cidade da Síria antes da guerra civil.

Forças de Damasco auxiliadas por milícias xiitas do Irã, do Líbano e do Iraque arremeteram contra a área dominada pelos insurgentes a partir do nordeste na semana passada. A autoridade pró-Assad disse que as linhas rebeldes cederam mais rápido do que o esperado.

"Os russo querem finalizar a operação antes de Trump assumir o poder", disse o funcionário, repetindo um cronograma anterior que fontes pró-governo haviam dito ter sido elaborado para mitigar os riscos de qualquer mudança na política norte-americana para a guerra síria.

O Ministério da Defesa russo não respondeu de imediato quando indagado se elaborou tal cronograma.

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