Putin recebe presidenciável francesa Le Pen no Kremlin

MOSCOU (Reuters) - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, recebeu a líder de extrema direita francesa Marine Le Pen no Kremlin nesta sexta-feira, concedendo-a um nível de reconhecimento internacional que até agora ela não tinha recebido na contagem regressiva para a eleição presidencial francesa.

As pesquisas de opinião mostram que Le Pen chegará ao segundo turno decisivo da eleição presidencial francesa no dia 7 de maio, mas perderia a votação para o candidato centrista Emmanuel Macron.

Le Pen, que disse admirar Putin, reiterou seu pedido de que sejam levantadas as sanções econômicas da União Européia impostas à Rússia sobre seu papel no conflito da Ucrânia.

Putin disse a ela que Moscou se reserva o direito de receber qualquer político francês que queira e que ela representa "um elemento das forças políticas europeias que vem crescendo bastante rapidamente".

"É claro que sei que a campanha eleitoral da França está se desenrolando ativamente", disse Putin. "Não queremos influenciar os acontecimentos de maneira nenhuma, mas nos reservamos o direito de conversar com representantes de todas as forças políticas do país como fazem nossos parceiros na Europa e Estados Unidos."

Um encontro com Putin é um trunfo para Le Pen e pode ajudá-la a polir suas credenciais de política externa. Embora cada vez mais popular em casa, ela vem tendo dificuldades para obter apoio no exterior, com exceção daquele ofertado por outros partidos de extrema direita.

Le Pen disse a repórteres após as conversas que o objetivo de sua visita à Rússia não foi aumentar suas chances eleitorais, embora seu encontro com Putin provável agradará seus principais apoiadores na França, muitos dos quais admiraram a posição conservadora do líder russo obre questões sociais e morais.

Outros eleitores franceses, no entanto, podem rejeitá-la por sua associação com um líder amplamente visto no Ocidente como autocrático.

A reunião também mostra que o Kremlin não está se privando de ações que poderiam influenciar eleições estrangeiras, mesmo depois da tempestade sobre as alegações das agências de inteligência dos EUA de que a Rússia tentou interferir nas eleições presidenciais norte-americana para ajudar Donald Trump a chegar à Casa Branca.

Dmitry Peskov, porta-voz de Putin, disse a repórteres em uma teleconferência que o líder russo e Le Pen não debateram a possibilidade de a Rússia oferecer ajuda financeira ao partido da candidata.

O partido de Le Pen tomou um empréstimo de 9 milhões de euros de um banco de Moscou em 2014, e está procurando ativamente novas fontes de financiamento.

Le Pen, que disse admirar seu anfitrião, visitava o país a convite de Leonid Slutsky, chefe do Comitê de Relações Exteriores da câmara baixa do Parlamento.

Na manhã desta sexta-feira, Le Pen explicou aos parlamentares russos por que se opõe às sanções aplicadas pela União Europeia a Moscou por seu papel na crise da Ucrânia, e ainda disse que Rússia e França precisam se unir no combate ao terrorismo global.

   (Por Polina Nikolskaya, Denis Pinchuk e Katya Golubkova em Moscou e Ingrid Melander em Paris)

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