Militantes atacam aeroporto de Cabul durante visita de Mattis; ataque dos EUA mata civis

Por James Mackenzie

CABUL (Reuters) - Homens-bomba e militantes atirando morteiros atacaram o aeroporto de Cabul durante uma visita nesta quarta-feira do secretário de Defesa dos Estados Unidos, Jim Mattis, acarretando um ataque aéreo norte-americano que acidentalmente matou civis, disseram autoridades.

Os confrontos e mortes ofuscaram uma visita que tinha objetivo de demonstrar apoio dos EUA ao governo afegão e fornecer um acentuado lembrete dos riscos associados a uma política norte-americana mais agressiva que deve aumentar o número de ataques aéreos.

Horas após Mattis desembarcar em Cabul, militantes dispararam projéteis altamente explosivos, incluindo morteiros, próximo ao principal aeroporto e detonaram diversos coletes suicidas em um ataque reivindicado tanto pelo Taliban quanto pelo Estado Islâmico.

Atiradores entocados dentro de uma casa próxima confrontaram forças da segurança por grande parte do dia.

Forças norte-americanas conduziram um ataque aéreo apoiando uma unidade especial da polícia afegã que lutava contra os agressores, mas sofreram um “mau funcionamento de mísseis”, causando diversas mortes, informou a missão da Otan liderada pelos EUA no local. Não foram dados mais detalhes.

“Suporte Resoluto lamenta profundamente os danos a não combatentes”, informou o comunicado. “Nós tomamos todas as precauções para evitar mortes civis, mesmo conforme os inimigos do Afeganistão continuam a operar em locais que deliberadamente colocam civis em alto risco”.

A visita de Mattis acontece após o presidente dos EUA, Donald Trump, anunciar uma nova estratégia para o Afeganistão, prometendo uma campanha militar reforçada contra o Taliban, que ganhou territórios, conforme o grupo busca reestabelecer seu estilo da lei islâmica após derrota em 2001.

A estratégia dará a comandantes dos EUA maior liberdade para usar poder de fogo norte-americano contra os militantes, mas, falando poucas horas antes do ataque aéreo, Mattis disse que iria fazer “tudo humanamente possível” para evitar mortes civis.

“Nós estamos aqui para proteger o povo afegão enquanto nós atacamos os terroristas”, disse ele durante entrevista coletiva conjunta com o presidente do Afeganistão, Ashraf Ghani, e o secretário-geral da Otan, Jens Stoltenberg, acusando militantes de se esconderem atrás de mulheres e crianças.

ACORDO NEGOCIADO

Mattis disse que o Taliban não pode esperar por uma vitória militar e prometeu uma abordagem mais “holística”, sem prazos fixos e envolvendo outros países da região, incluindo o Paquistão.

“Eu quero reforçar ao Taliban que o único caminho para a paz e legitimidade política para eles é através de um acordo negociado”, disse.

Ghani disse que seu governo “continua aberto para conversas com o Taliban”, assim como uma estratégia de paz envolvendo o Paquistão.

Mattis disse que os EUA irão enviar um adicional de 3 mil soldados para ajudar a treinar forças da segurança do Afeganistão, que estão focando em intensificar a força aérea e as forças especiais, mas deu poucos detalhes sobre o que irá mudar.

(Reportagem adicional de Mirwais Harooni, Hamid Shalizi e Mostafa Hashem)

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